segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O REECONTRO

... E quando a médica entrou no quarto e viu o novo paciente que havia chegado na emergência, assustou-se como raramente houvera se espantado antes, era o seu melhor amigo e que há tempos não se viam...

Deixou-se levar... levar... e em sua mente surgiu em flashbacks antigas e belas histórias que havia vivido com seu amigo mais que querido: os abraços fraternos; os beijos carinhosos; as confidências mútuas; os sonhos planejados; as conquistas de um e de outro; as lágrimas que enxugaram em suas faces, de alegria e de tristeza; as gargalhadas que escaparam nas tardes de trabalho; a torcida e o apoio inquestionável que ele lhe deu para chegar aonde agora estava; o dia em que se despediram e juraram amizade eterna.

Ela olhou o amigo, estava todo quebrado... Meu Deus! Pensou consigo próprio, todo quebrado!

Começara um exame mais detalhado quando percebeu que ele havia recobrado os sentidos e a olhava intensamente, a reconhecendo, era um milagre, pensou, ele estar consciente... Ele estar vivo!

Ele tentou sorrir, ela percebeu, mas ele... Ele não conseguia... Todo o seu corpo não respondia aos seus estímulos.

Ele fez uma sugestão qualquer a convidando para aproximar-se dele.

Ela debruçou sobre ele quase encostando seu ouvido à boca do amigo morimbundo.

- E.... Erh.... Erhhhh...
- Não fale, meu amor.... não fale. Ela clamou desesperada.

... E tudo o que ainda restava nele, ele concentrou naquela tentativa desesperada de lhe falar, retirava dos lábios uma série de sons estranhos que ela entendeu como um “te amo”, duas palavras que escaparam tingidas de vermelho. Ele lutava para viver...

Quando ela afastou a face e buscou-lhe os olhos viu que ele já não dominava mais nada em seu corpo e sua vontade apressada de abraçá-la não conseguia ser satisfeita. Ela deixou cair uma lagrima quente que se misturou a dele, já fria, ambas se tornaram uma única e escarlate escorregou pela face machucada do amigo.

Quando ela o abraçou manchando o branco do seu jaleco com o rubro líquido, ele já estava morto, e isto ela já o sabia... Mas não era mais seu corpo que abraçava, era uma lembrança e uma saudade...

31 comentários:

Cris França disse...

Gil , meu querido

A morte é uma grande lição, a do desapego, a de que nada temos, que nada somos, que nada levamos...

a gente faz mil indagações nesse texto.

será que eram mais que amigos?

será que ele queria ter tido tempo de dizer algo mais a ela?

será que a gente está realizando nossos sonhos no tempo que temos aqui?

acontece na vida real, e como...essa cronica é muito realista, e esta , como sempre, muito bem escrita, e bem sei que gostas de experimentar vários estilos diferentes, o que fazes com maestria.

Mas só pra constar eu gosto mesmo é de final feliz tá...rs

Embora eu entenda que não hajam apenas finais felizes nessa vida.

bjs no coração

HSLO disse...

Nossa demais essa postagem. Lembrei do texto Eros e Pisque, do Fernando Pessoa.

abraços
de luz e paz

Hugo

Marilu disse...

Meu querido amigo, porisso que temos que dizer "eu te amo", hoje, agora, guardar sentimentos, por medo que o outro possa ou não corresponder é errado...o melhor é sempre arriscar...Adorei o texto...Beijocas

Marilu disse...

Meu querido amigo, porisso que temos que dizer "eu te amo", hoje, agora, guardar sentimentos, por medo que o outro possa ou não corresponder é errado...o melhor é sempre arriscar...Adorei o texto...Beijocas

ELIANA-Coisas Boas da Vida disse...

LINDO E EMOCIONANTE...ADOOOOOOOOORO LER SEUS TEXTOS!
BEIJO

Priscila Rôde disse...

A vida é mesmo cruel..
Lindo e emocionante texto.
Fiquei um pouco assim.. sem palavras!

Um beijo, Querido.

Chica disse...

Intensa e linda crônica!

Muito legal!abração e uma ótima semana,chica

ValeriaC disse...

Linda crônica amigo...apesar de triste..a vida tem destas coisas...infelizmente...dói, mas ensina...une, reencontra e pede desapego...e assim é o amor, a amizade...a vida...
Ah! que evitamos adiar as coisas, deixar para depois...somente o momento existe...o futuro pode nunca chegar...
Tenha uma doce semana! Beijos...
Valéria

legalmente loira... disse...

gil querido, tenho sentido sua falta!!
nossa que encanto...
saio daqui de alma mais leve

Uma semana cheia de luz pra você

beijos

Gilson disse...

Gilberto

Este post foi uma superação fantástica, fiquei imaginando o quanto perdemos tanto tempo com tantas coisas inúteis e deixamos nossa vida passar e nossos amigos irem embora.
Um post que merece nota dez.

Abs

SolBarreto disse...

Um texto forte, triste...
Mas vale muito pela lição que tras...
Na maioria das vezes deixamos de dizer coisas ou de fazer coisas para alguem, pelo simples fato de acharmos que teremos tempo mais tarde para fazer isso...e algumas vezes percebemos de forma dura que não somos o dono do tempo e que devemos aproveitar o que a vida nos da, no exato momento em que ela nos oferece, porque amanhã...amanhã pode ser tarde demais...

Anna disse...

Muito triste,mas ao mesmo tempo lindo!

Fatima disse...

Que lindo meu amigo!
Bjs.

Sonhadora disse...

Meu querido amigo
Um texto muito tocante, nunca devemos deixar de dizer o que sentimos, porque por vezes quando queremos dizer é tarde demais.
Um belo texto, embora triste, mas fala de vida e morte, não poderia ser de outra maneira.

beijinhos
Sonhadora

*lua* disse...

Caro e querido amigo, hoje meus carinhos e amores por mim dispensados, são todos mortos, apenas zumbis da saudade! Me vi em teu texto maravilhoso!!! Parabéns, não poderia ser o contrário!!! Beijo

ROSANA VENTURA disse...

Gil,
Fiquei emocionada com o texto.
Isto nos faz pensar em dar mais valor a quem esta do nosso lado, em dizer quanto EU TE AMO for necessario p/ que ele saiba o valor que tem pra nós..nunca se sabe qdo sera a última vez que vimos um ser amado...
Ai... me emocionei.
Bjossssssss

Mari Amorim disse...

Gilberto,
adoro crônicas,principalmente aquela que nos faz refletir.Creio,que todo humano,deveria nascer com uma plaquinha tatuada escrito prazo de validade,assim teria uma consciência maior em relação aos seus atos.
Obrigada,pela visita,eu tb tenho essas over,mas como começou o tempo de horror(momento político)pra exorcizar,ouço Cazuza..
interagir é sempre bom,hoje publicarei mais um,gosta de Poetrix?
saúde,paz,luz em sua vida
Mari

Marilu disse...

Querido amigo Gil, vim agradecer o carinho que você dispensa ao Devaneios, em particular esse último comentário que fez em "Uma carta de Amor"., obrigada de coração...Beijocas

Marilu disse...

Querido amigo Gil, vim agradecer o carinho que você dispensa ao Devaneios, em particular esse último comentário que fez em "Uma carta de Amor"., obrigada de coração...Beijocas

Vanessa Monique disse...

Que lindo e triste ao mesmo tempo.
Eu te peço um favor,pra vc votar no meu blog no concurso q estou participando, é só clikr no logo q está na postagem ou na lateral.

Obrigada
@vanimonique
:*

Cria disse...

.. tocante, poeta amigo !! Repleto de emoção, parabéns pela inspiração. Beijo e minha admiração.

Gorete . SoLua disse...

Seu texto Gilberto, é tão emocionante. Arrancou-me lágrimas, suspiros ...

Doces beijos :)

Roberta disse...

Olá, td bem?
Acabei de conhecer teu blog, e ADOREI! Já estou seguindo para conferir tudo o que acontece por aqui!

Beijos

www.rferragut.blogspot.com

Vanessa Monique disse...

Eu te peço um favor,pra vc votar no meu blog no concurso q estou participando, é só clikr no logo q está na postagem ou na lateral.

Obrigada
@vanimonique
:*

Marliborges disse...

Gilberto,
Que texto maravilhoso, terno e comovente. Perdemos tanto tempo com bobagens, pensamos que somos donos do tempo, onipotentes e imortais. E nossa vida passa... e passa. E a dos nossos afetos também. Hora de refletir e mudar algumas coisas. Parabéns e obrigada pela reflexão. Bjssssss

legalmente loira... disse...

querido gil,
Amo cada detalhe desse Blog. As postagens, as fotos... é tudo tão bem escolhido, tão agradável.



Um abraço bem grande. :*

Pat. disse...

Este tipo de texto me faz chorar de verdade... mas aprecio imenso!

Venho agradecer teu carinho e deixar meu beijo especial.

Sempre!

Lua Nova disse...

"...Mas não era mais seu corpo que abraçava, era uma lembrança e uma saudade..."
Perfeita essa frase e retrata exatamente como me senti perante a morte de seres amados. Acho que o pior da morte é a impossibilidade do contato. Meu pai morreu há 10 anos e o que mais me desespera é não poder falar com ele, rapidamente, uma vezinha só... Talvez por isso as pessoas busquem
alternativas espirituais como cartas psicografadas e coisas assim.
Querido Gilberto, muito obrigada por suas palavras lá no Chocolate.
Lambeijokas nesse gatto pretto adorável.

Valéria Sorohan disse...

Sentimentos verdadeiros, traz uma nova visão aos olhos da alma.
Que lindo!

BeijooO*

Erica Ferro disse...

Cara, quase chorei. :(
Bonito, bonito mesmo, e triste também.

Que não deixemos para dizer o quanto as pessoas nos são queridas e importantes na hora da nossa morte, mas que digamos sempre que o nosso coração pedir.

Obrigada pela visita.
Um abraço.

ROSANA VENTURA disse...

Passando mais uma vez só para agradecer o carinho de tuas visitas. És sempre convidado VIP.
Bjosssssssssss