segunda-feira, 9 de novembro de 2009
QUANDO A CONSCIÊNCIA SE CALA...
Estranhamente, todos dormem...
... E sonham!
Sonham com cruzeiros, mares, safaris,
Sonham com mesas fartas,
Mulheres fartas.
Sonham com sorrisos de criança,
Com o gemido de amor de uma mulher
Após esta ser tocada por um toque sensual.
Sonham em correr contra o vento,
Senti-lo frio no toque do corpo;
Sonham com areias aos pés,
Com banho de rio e cascata.
Estranhamente, todos dormem...
... E sonham...
Estranho é esse bicho
Que no homem chama-se consciência.
Bicho que, por vezes, se afasta,
Tranca-se em exílio,
Domestica-se...
É mesmo assim então...
Neste lugar, a consciência
É a primeira a enclausurar-se...
... E quando a consciência se cala...
... Os brutos dormem!!!
domingo, 8 de novembro de 2009
VIVENDO DE LEMBRANÇAS
Ainda me é fresco na memória
O contato do seu corpo sobre o meu.
Ah! Nessas horas me perdia num abismo,
E só queria o beijo seu!
E a noite sempre eterna e majestosa
Se iluminava quando fazíamos amor.
Até mesmo as estrelas se ofuscavam
Pois tudo era feito com ardor.
Não havia mais nada a dizer,
Nada mais para falar.
Eu só queria você, você e você,
Cada vez mais te amar.
Agora desperto dos meus sonhos,
Doces pensamentos de pura ilusão.
Você não vive no meu presente,
É de passado que se enche meu coração.
Porém existe sempre o consolo,
Que é só você que sei amar,
E recorro as minhas lembranças
(sempre elas!!!) Para me consolar!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
A TRAGÉDIA DA LAGARTIXA
Estava varrendo a calçada quando uma lagartixa morta chamou-me a atenção. Ela já estava quase desmembrada, pois sofria um ataque maciço de formigas. Observei a cena toda, o corpo da lagartixa estava sem o rabo, e este, estava a um meio metro de distância, impávido, incólume. Sei que isto é um truque de defesa deste pequeno réptil, ela desprende completamente seu rabo que fica saltando sob espasmos musculares de um lado, enquanto ela dá uma de “leão da montanha” e escapa pela outra direção. Geralmente dá certo, mas, para esta, infelizmente, não houve sucesso.
Fiquei pensativo, sobre o que teria acontecido com a pequena lagartixa, que terrível mal, quão grande tragédia houvera abatido sobre ela que lhe tragará a vida?
Será que sofrerá um ataque poderoso e estrategicamente militar das formigas que a cercaram e a deixaram-na sem saída?
Será que estava inadvertidamente pensando em alguma lagartixa fêmea e não viu algum humano passando por ali e sofreu uma pisada fatal?
Morreu de velhice?
Suicidou-se por amor, atirou-se de cima do muro embaixo da roda da bicicleta de uma criança?
O que terá acontecido com a pobre lagartixa?
Fiquei pensando e não encontrei nem imaginei hipótese que soasse crível.
E as formigas continuavam sua tarefa macabra, a lagartixa praticamente não existia mais, pensei novamente, numa viagem introspectiva e filosófica dentro da maionese: Será que a família desta lagartixa chorou por ela? Sua memória será saudada por dentre os anos? Alguma outra lagartixa derramou uma lágrima por ela? Existe um paraíso para as lagartixas?
Arre! Quantos questionamentos, a vida é mesmo complicada para os humanos e para as lagartixas...
De repente, olhei para o lado e vi a MÉL (nossa gatinha de estimação) se espreguiçando toda.
Hummmmmmmm.....
- Mél, terias coragem de assassinar uma lagartixa?
Os olhos dela brilharam como se me compreendesse...
TEU CORPO
Caem-se as peças de teu vestuário,
Uma a uma,
Lentamente,
Revelando toda a beleza furiosa
Deste teu corpo matreiro e fogoso.
Ah! Teu corpo...
Teu corpo concebido de relevos
De curvas
Do calor incandescente dos vulcões.
Teu corpo é cascata,
Água fresca e cristalina.
Brisa que esfria o sol,
Sol que esquenta a brisa.
Teu corpo é verão,
Queima sem machucar.
Teu corpo é jardim,
Rosa, margarida, jasmim.
Teu corpo é adaga,
Fere nossos olhos,
E ressuscita nossa visão.
Ao desejá-lo...
...e o desejamos....
Ah! Como o desejamos.....
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
O ERGÁSTULO E O FLAMBOYANT
Dirigia pela rodovia quando vi à minha direita o ergástulo(*), uma massa gigantesca de muros, concreto e grades, feita para conter em suas entranhas o homem.
O homem bruto e rude.
O homem impuro e iníquo.
O homem criminoso e aquele que errou.
A penitenciária é um universo underground, é o subterrâneo da sociedade. Ela é o ultimo portal da decência.
Pensei em todo o sofrimento que aqueles altos muros deveriam reter; pensei na tolice que cega a razão e o coração dos homens que insistem em enveredar por uma senda que não conhece justiça e que os leva para um abismo de dor, de dor.
Mas, na entrada do ergástulo, algo me chamou mais a atenção, erguia-se uma árvore flamboyant, digna e viçosa e, esta, alegre, comemorava a primavera com uma florada paradisíaca. Toda a sua copa, enorme por sinal, estava completamente florada e a cor laranja das flores enquadrava-se ao muro do presídio, que de longe, sisudo, tudo assistia. Quadro insólito!
Parei o carro, detive-me por um momento. Ainda me permito esses arroubos de sensibilidade e as comemoro efusiva e internamente. Aprecio isso em mim, confesso, e, quando estas epifanias me assaltam, sinto-me melhor, mais feliz, mais humano. Não escondo que flerto com elas, as epifanias, essas visões súbitas que me apontam seus dedos à minha face e clamam-me! Atente! Poesia!
E eu bebo esta poesia que a vida me dá (nos dá) gratuitamente, sorvo delicadamente cada gole como se cada um deles fosse o ultimo de minha vida. Eu sou pequeno, reconheço, aos olhos do mundo. Mas isso não me incomoda, minha poesia me faz diferente, me faz maior que eu mesmo.
O flamboyant florido sugeriu-me um discurso que gostaria de recitá-lo em versos e rimas para o mundo inteiro. Deixem-se todos levar-se pela poesia, a poesia da vida, da sensibilidade, que nos faz perceber as belas e pequenas coisas que nos cercam. As verdadeiras emoções estão aí, atreladas às epifanias e as visões repentinas que cercam estas pequenas coisas e que a vida nos oferece a todo instante.
Cheguei frente àquela bela árvore florida e sua beleza me cativou, encantou, tornou-me pequeno. Via a árvore, suas flores, sua abundante cor laranja acariciando-me os olhos, a poesia é alaranjada, pensei! Um suave perfume desprendia-se dela, respirei fundo aquele ar fresco, perfumado e energizado. O sol quente lembrava-me que a tarde estava em seu ápice. Senti-me livre, livre, livre... E, mais além, o símbolo maior da ausência da liberdade, o ergástulo, a prisão. Quadro insólito!
Pensei nos muitos homens lá dentro, presos, desprovidos da capacidade de sentirem a liberdade em sua essência e mesmo na aparência. Para muitos, a liberdade é somente uma aparência. Tive a certeza de que, mais dias, menos dias, muitos homens sairiam por aqueles poderosos portões e a liberdade lhes sorriria e abriria para eles os gentis braços outra vez. Mas, a maioria deles, tanto lá dentro, quanto aqui fora, jamais seriam livres em total plenitude, porque a liberdade verdadeira ergue-se sobre dois alicerces magnânimos: a sensibilidade e a simplicidade. A maioria dos homens, acreditem, vêem tanto um quanto outro como fraqueza, condenam-se a viver uma liberdade aparente, oca, vazia. Estão presos em sua insensibilidade...
Não vou condenar ninguém!
O flamboyant florido de laranja não condena!
Aquela árvore tão linda ao emprestar para um lugar que somente conhece dor e sofrimento, a beleza de seu sorriso mais belo e laranja, ela o redime e convida para que todos vejam:
- Atentem! Poesia!
Quiçá que a liberdade dos homens os façam enxergar e apreciar a poesia do flamboyant e, serem assim, efetivamente, livres, livres!
(*) Ergástulo público = Cadeia pública
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
SENTENÇA ARROGANTE!
Meu amor, perdoe-me pela arrogância da sentença,
Mas a verdade é que te sinto minha... Minha!
Sei que nada entre nós existe de concreto
Que se revista de realidade para que
Permita-me dizer algo dessa natureza,
Com tanta segurança!
Mas, o coração não entende dessas coisas,
Ele vive numa dimensão
Onde realidade e virtualidade
É tudo uma coisa só... Uma coisa só!
Talvez o coração seja um tolo!
Mas não me parece que seja verdade isso!
O coração é da natureza do sentir
E o sentir, meu amor, vive
No real e no abstrato!
Talvez, o tolo seja mesmo eu!
Porque eu conheço das coisas
Que vivem nas diferentes dimensões!
Sei o que é real, sei o que é virtual!
Mas, eu somente me interesso pelo abstrato...
Linda é esta estrada que me leva até voce!
Meu amor, perdoe-me pela arrogância da sentença,
Mas eu te sinto minha.... Minha!
Isto é o coração que me diz!
Ele entende dessas coisas, ele é sábio!
Estúpida é a realidade,
Que somente conhece o que vê, o que toca...
O amor não é algo material,
Como pode então a realidade tola percebê-lo de verdade?
O coração está certo, meu amor, está certo!
Está certo sobre o amor!
Está certo sobre o fato de seres minha...
Eu não discuto com o coração!
Prefiro contestar a realidade!
Ainda que seja arrogante a sentença,
Tu és minha... Tu és minha!
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
DEFICIENTE CIENTE
Como blogueiro, dias atrás, sai sem rumo pela net, seguindo a força das marés, navegando à deriva ao sabor dos oceanos virtuais, quando aportei num blog muitíssimo interessante: o blog da Vera, o deficiente ciente, eis o link: http://www.deficienteciente.blogspot.com/ .
A Vera trabalha no setor de ensino, é paulista, pedagoga, amputada devido a um acidente em sua infância, e por tudo o que já li por lá em seu blog, muito inteligente, sensível, determinada em fazer este mundo um melhor lugar para aqueles que possuam alguma espécie de deficiente permanente ou temporária.
O blog deficiente ciente, segundo descrição dela própria, "tem como objetivo informar as pessoas com deficiências (PCDs) assunto úteis ao seu dia a dia, procurando facilitar a difusão de informações sobre deficiência. Outro objetivo é estimular a inclusão social e lutar por uma melhor qualidade de vida para que os PCDs possa efetivamente exercer sua cidadania".
E, assim, a Vera captura em revistas, jornais, programas de TV, na própria net, textos, reportagens e noticias que sejam do interesse dos portadores de deficiências e excepcionalidades, além de pontuar aqui e ali, com textos dela própria. Tudo em busca da consicentização, da educação dos PCDs e dos ditos normais, da sociedade de um modo geral, buscando melhorar a vida e a acessibilidade para pessoas que tem dificuldades, muitas vezes, de apenas subir em uma calçada.
Desde o primeiro momento em que vi o blog deficiente ciente encantei-me com a proposta dele. Achei uma idéia muito inteligente da Vera de transformar aquele espaço num canal de difusão de idéias, filosofia de vida, de busca por algo melhor por uma classe de nossa sociedade que na maioria das vezes é esquecida por todos. Nosso mundo é extremamente ditatorial, e tudo nele é construído para aqueles que são ditos perfeitos; não se encaixa neste estereótipo formatada pelo sistema todos aqueles que possuam alguma deficiência, seja ela permanente, ou mesmo temporária. Afinal, esquecemos que, podemos sofrer algum acidente e ficarmos inabilitados por algum tempo e, neste ínterim, termos de nos inserir no universo daqueles que tem a excepcionalidade como realidade de vida.
Nel mezzo del cammim encantou-se pelo blog deficiente ciente, pela sua proposta e por sua fidalga luta em prol de pessoas que, na maioria das vezes, não tem quem fale por elas. E, desta forma, convido a todos os meus excelentes amigos e amigas, gente da mais nobre estirpe que vão até lá visitar o blog deficiente ciente e o conheçam e, se possível, peçam para que os seus amigos também o visitem e assim por diante, criando uma grande rede de solidariedade em prol dessa causa que é pura conscientização e educação de nós mesmos e de nossos iguais.
Será medido o grau de civilização e educação de um povo pela forma como ele trata suas minorias.
De toda a forma, deixo meu respeito e minha admiração pelo belo trabalho que a Vera realiza no seu blog deficiente ciente. A sua história de vida (e as outras que ela posta lá) e sua luta me inspira todos os dias a rever conceitos e a testemunhar que a vida pode ser linda e feliz quando a gente aprende a olhar do jeito certo para ela...
Abaixo, um texto da Vera, postado no deficiente ciente, logicamente, esta honra de dividi-lo convosco, meus amigos e amigas maravilhosos, foi ela quem me deu!
Um abraço a todos e sejam felizes!
MINHA PRIMEIRA VITÓRIA
Texto Escrito por Vera (Deficiente Ciente)
Dois anos após o meu acidente (contarei em detalhes em outra oportunidade) estava com treze anos de idade e queria de todo jeito aprender a datilografar. Nessa época nem sonhava em usar um computador, pois o mesmo era uma máquina sofisticada destinada a uma classe social favorável e eu e minha família não nos enquadrávamos nessa classe.
Devido a minha vontade resoluta para aprender a datilografar, minha mãe fez minha matrícula num curso de datilografia. No primeiro dia de aula, a professora do curso perguntou como eu iria fazer para datilografar, respondi que possuía uma única mão, e poderia datilografar sem problemas. Engraçado que eu falei que digitaria com uma só mão, como se fosse a coisa mais natural do mundo. A frase da professora não representou para mim nenhum obstáculo, o meu objetivo era aprender, e eu estava ali para isso.
Não foi nada fácil lidar com aquela gigantesca máquina de escrever do curso de datilografia. Quem passou por isso na década de 80 sabe do que estou falando. Me sentia perdida no meio daquilo tudo, mas minha vontade de aprender era muito maior do que a minha vontade de desistir. “Querer é poder” não é o que diz uma das máximas mais citadas?
Lembro-me bem do dia em que pedi insistentemente ao meu pai para comprar uma máquina de escrever, para que eu pudesse treinar as lições do curso em casa. Meu pai, para me ver feliz, comprou com muito sacrifício, a tal da máquina.
Um dos dias mais felizes da minha vida, foi quando meu pai me entregou a máquina, dizia para todo mundo que tinha uma máquina de escrever. Saia do curso, chegava em casa e treinava bastante, não ficava cansada, pois queria aprender de todo jeito. Treinei tanto nessa máquina que a fita de tinta acabou rapidamente. E acreditem, digitava tudo e digito até hoje somente com o dedo médio.
Penso que nós deficientes, arrumamos técnicas para tudo, não deixamos que pequenas coisas nos abalem. Quando os obstáculos aparecem, tomamos novo fôlego e seguimos adiante com toda força que temos ao nosso alcance. Certamente, fracasso e desistência não faz parte do vocabulário da pessoa com deficiência que pensa na vitória.
Enfim, depois de cinco meses de curso e muita persistência, consegui meu certificado do curso de datilografia. Aquele certificado teve um significado tão grande na minha vida, pois representava a minha primeira vitória. Pude sentir pela primeira vez o sabor da vitória e da primeira barreira derrubada.
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