sábado, 17 de outubro de 2020

O RIO E O MAR

 


Tu, Pai, é mar d’águas!

Puras.

Límpidas.

Cristalinas.

Grandioso mar d’águas.

Tua voz envolve o mundo.

Encanta o mundo.

Quem nunca se encantou

Com o maravilhoso som do mar?

Tua voz, Pai!

 

Eu sou rio!

Rio cheio de curvas,

Fundo aqui,

Raso ali,

Desajeitado no todo.

Aguas poluídas.

A humanidade mais polui

Do que limpa.

Sou mesmo o rio.

Consciente que é imperfeito.

Por isso o rio sonha...

Sonha com o mar...

E nunca para...

Todos os dias, busca o mar,

Desagua no mar...

No mar, o rio se encontra.

 

Sou como o rio, Pai!

Busco a Ti todos os dias!

Desaguar em Ti

Como um rio que se completa no mar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

 

 

 


Dia desses

Acordei de madrugada,

De súbito,

Sem motivos,

Sem barulhos,

Sem nada...

Simplesmente acordei... e pronto!

Olhei para você ao lado

E dormias.

Respiravas mansinho,

Os olhos fechados

Mergulhados num sonho

Que somente você sabia o que era.

Fiquei ali, quietinho,

Vigiando você.

No silêncio do quarto,

Tua respiração

Era o contraponto do som

Que vinha das batidas

Do meu coração excitado.

Excitado por te ver...

Assim...

Tão quietinha,

Tão linda,

Tão minha.

De repente, você se mexeu.

Assustei, não queria acordar você.

Virastes para o lado,

Coloquei a mão sobre você,

Sem tocar... sem tocar...

Voce continuou dormindo...

Depois,

Deitei-me também,

Devagar,

Fechei os olhos e

Senti o sono chegando,

Junto dele em sua algibeira

Um sonho....

Sonhei com nós dois

Andando de mãos dadas por um jardim.

Meu rosto se encheu com um sorriso.

O quarto se encheu com um perfume

Que veio não se sabe de onde.

Viramos, ambos, de lado,

Abraçamos um ao outro.

E dormimos o resto da noite,

Inteira,

Assim....

Sonhando juntos um sonho de amor...

sexta-feira, 17 de julho de 2020

POEMA QUE COMEMORA TUA BELEZA



Meu amor,
Mais lindo que o amor!
Estavas ainda mais bela nessa manhã.
Radiante estavas como se fosse
O primeiro raio de sol que rasga
O pano negro da madrugada.
Perfumada estavas, invejavas
A primeira rosa que nasce na primavera
Do mais lindo entre todos os jardins.
Por tão linda que estavas
Ruborizavas esta rosa...
E mais vermelha ela ficava!
Saístes e corri a abrir a janela,
Para roubar da chance
Uma última oportunidade de te ver.
Não me vistes...
Entretida estavas com tuas coisas...
Simplesmente partistes...
Aqui ficou o vazio,
Um abismo sem fundo
Incapaz de ser enchido com mais saudades.
E fiquei na janela, parado,
Por um momento,
Dois momentos,
Numa espera tola de que retornasses,
Esquecida de alguma coisa,
Movida por alguma coisa,
Mas alguma coisa não aconteceu...
Resignei-me...
Retornei para mim mesmo...
Vá, meu amor, vá!
Seja luz e sal nesse mundo
Negro e insosso.
Esparrame excelência como
O semeador lança
Sementes na boa terra.
Depois volte!
Volte para casa e para mim.
Eu te aguardo com fome e sede...
Meu amor, mais lindo que o amor,
Estavas tão mais linda hoje!!!!

terça-feira, 14 de julho de 2020

HERÓIS ANÔNIMOS


               
O interno olhava através de uma fresta no tapume que lacrava a janela que dava acesso para o pavilhão inimigo.
Este tapume lá estava para evitar contatos desnecessários entre os pavilhões que se diziam adversários.
Adversários?
Cadeia é tudo teoria.
O que pode ser, pode não ser; e o que não pode ser, pode ser.
Entender esses dois polos transforma o seu sabedor em alguém especial lá dentro do reino dos cadeados.
Alguns chamam esses sabedores de inteligentes, costumo chamá-los de sobreviventes.
Quando o policial penal passou indo em uma missão, isso chamou a atenção do preso curioso.
Olhou para o polícia e o convidou para uma conversa.
- Senhor, esses caras aí são muito mulambos... que sujeira dentro das celas...
O duplo “P” aceitou o convite.
- Certa vez, um sujeito bandido, me disse uma coisa que eu guardei para mim como verdadeiro.
O preso se interessou.
- É mesmo, senhor! O que foi?
- Ele me disse assim: Seu Polícia eu sou bandido, mas nem por ser bandido eu preciso ser mal educado e mulambo. Minha cela e minhas coisas são limpas, senhor, assim como procuro deixar limpo meu comportamento...
O preso deixou-se fascinar, percebia-se em seus olhos. Captou alguma sabedoria na frase de seu igual que veio do passado navegando pelo oceano do tempo dentro de uma nau de reminiscência.
- Sabe senhor! Meu avô foi pai de 12 filhos.... Criou todos eles sozinhos, sem ajuda de ninguém, sem roubar um palito de fósforos. A frase que ele sempre dizia era essa: malandro sou eu, criei doze sem roubar nada de ninguém... e ele ria senhor, não esqueço seu olhar e seu sorriso.
O policial ficou surpreso com a breve história. Essas pequenas conversas são raras dentro do reino dos cadeados, muito mais raras são aquelas que nos deixam algo que nos ensinam, que nos elevam para um patamar além do que estávamos. O destino de todo homem é aperfeiçoar-se, ser melhor hoje do que foi ontem. A estagnação é uma maldição, o retrocesso a maior das tolices.
- Todos os dias a mídia escolhe e elege seus heróis. Saibas que são todos eles falsos. Os verdadeiros heróis são esses homens e mulheres como seu avô, que sozinhos, contra todas as contingências e contrariedades da vida, criam 12 filhos sem serem pesados para ninguém, sem roubarem nada de ninguém, confiando apenas em Deus. Benditos sejam esses heróis. Seu avô foi um herói!
- É... Verdade, mesmo! Meu avô foi herói, senhor! Eu é que estraguei tudo....
O Policial Penal sentiu que o interno se emocionou. Ele pediu licença e saiu, indo para o lado contrário. O agente ficou ali, a observa-lo, ainda deu tempo de ver que, no chão que pisava o preso, uma gota de lágrima caía, grossa, cristalina, cheia da gordura que o sofrimento produz. Os fornos mais quentes da sabedoria são o do sofrimento, felizes aqueles que a conquistam sem serem submetidos a esse fogo abrasador.

domingo, 14 de junho de 2020

AO APAGAR DAS LUZES...



para Drúcila Reis Mendes

Quando se silenciam todos os gritos,
Quando se apagam todas as luzes
Das arenas de todos os amores.
Quando todas as declarações de amor
Retornam para as gavetas dos
Criados dos quartos dos amantes,
É nesse momento, meu amor,
É nesse momento que eu surjo
Dos bastidores de toda a empolgação.
Todos eles já desceram dos palcos,
A poeira já começa a se ajuntar
Em cima dos tablados.
Eu surjo quietinho,
Não gosto dos alardes intempestivos
Das datas ditatoriais.
Eu gosto é da surpresa,
Da epifania que se desgarra
do cinza cotidiano.
Saio do frio do ostracismo,
Movido pelo calor do sol
De meu amor por você.
Esse amor que me aquece todos os dias.
Que me dá vida todos os dias.
Que me ilumina todos os dias.
Quando enfim, ele se levanta,
Numa eterna aurora que nunca se finda,
Impulsiona-me a vir até você
E dizer que te amo,
Dentro dum momento que não se encerra,
Um momento que se enclausura dentro
De um casulo de sentimento,
E o que eclode nessa metamorfose
Não é mais o instante,
É a longa eternidade.
É assim que eu gosto de aparecer,
Fora da sazonalidade dos “Eu te amo”.
Quando se cala a multidão de amantes,
Surge a minha voz dentre esse silêncio
Que se instala para te confessar:
Eu te amo!
O palco agora é todo meu,
Unicamente meu,
E meu sentimento,
Oh, meu mais que amor!
Ele é unicamente teu!

segunda-feira, 1 de junho de 2020

CARTA PARA O FILHO QUE AINDA NÃO CHEGOU...


dedicada ao filho do amigo Sotolani
Meu querido filho!
Papai sempre pensou que conhecia o sentido da vida,
Que o passar dos dias estivessem dentro de uma
Normalidade e encaixadas de forma racional.
Acreditei um dia, meu filho, que conhecia a felicidade.
Pensei que as minhas gargalhadas eram expressão
Dessa alegria esfuziante que nascia do convívio
Com amigos e demais pessoas.
Ah, meu filho lindo! Papai pensou tantas coisas,
Colocou sua melhor fé em coisas que hoje
Cheiram e soam pagãs.
Não as desprezo,
Todas as coisas me trouxeram até aqui
E de alguma forma elas me fizeram o que sou.
E o que sou me ensina que posso melhorar
No novo dia que Deus me dá.
Essa é a intenção mais nobre do meu coração, meu filho!
Ser melhor no novo dia que está para nascer.
Não há qualquer porção de orgulho e arrogância nisso.
Enxergue isso como humildade,
Essa qualidade nos faz mais nobres.
Quero ser melhor não para minha própria exaltação,
Estou imune a esses pensamentos e a essa perspectiva.
Quero ser melhor primeiro para Deus, nosso Pai,
E depois para você, meu filho.
Quero que tu vejas em mim um norte,
Uma bússola,
Um exemplo.
Quero ser um espelho do que Deus espera de mim,
E que tu ao se veres neste espelho,
Enxergue a tua própria imagem e vida, meu filho.
Estou tão feliz hoje, Victor!
Voce ainda não chegou e já me ensinou tanto.
Me mostrou o sentido da vida,
Tua vida é um milagre,
E esse milagre me mostrou Deus,
E Deus me deu você.
Te amo tanto, não conhecia essa forma de amar,
Nem sabia que dentro de um coração coubesse tanto amor.
Fique em paz, filho!
Estejas quietinho e sossegado no colo de tua mãe.
Não tenhas medo aqui de fora!
Papai estará sempre aqui... ao teu lado...
Se houver lagrimas, eu as enxugarei...
Se houver sorrisos, sorriremos juntos...
Tua primeira queda será em meu abraço
E do meu abraço jamais se livrará.
Eu te amo, Victor!
Te espero como as flores esperam a abelha,
Como o alvorecer que só se faz com o sol,
Como a terra anseia beber a chuva.
Venha, filho! Venha...
Nada mais faz sentido sem você aqui.
Papai te ama muito!
Venha, filho! Venha!
E que Deus abençoe toda a sua vida!

sábado, 30 de maio de 2020

QUANDO O ANDARILHO SE ENCONTRA...


   
pequena homenagem ao dia 30 de maio

Fui um andarilho.
O pior deles, sequer sabia que era um.
Acreditava que a minha vida estava em minhas mãos,
Quando ela escorregava por entre os dedos,
Feito um punhado de água.
Um dia, entretanto, te encontrei numa dessas curvas
Que a vida nos apresenta.
Estavas à beira do caminho,
Ajoelhada e de face voltada para o céu,
Pois para o céu sempre foi teus olhares e
Teus mais íntimos e nobres pensamentos.
Desviastes do Divino teus olhos,
Por um breve momento,
E olhastes dentro dos meus.
Sorristes... sorristes na face e na alma.
Recebi seu sorriso, na face e na alma.
Aconchegastes minha cabeça em teu colo,
E tuas mãos suaves e delicadas
Afagaram meus cabelos
Como se tricotasse paz e sossego.
Conversamos... sobre pequenos príncipes e
Sobre contingências da vida,
Falamos sobre Deus e aprendi
Coisas que nunca havia ouvido sobre o Aba.
Quando nos despedimos,
Eu voltei para meus caminhos andarilhos,
Voce para suas orações.
Eu não caminhava mais sem rumo,
Buscava uma estrada que levasse até você.
Tu me acrescias em teus clamores,
A minha vida alcançava suas súplicas e
Através de você, o céu.
Linda intercessora.
N’outro dia, eu voltei.
Não mais andarilho.
Sabia agora para onde ia,
Para onde queria chegar.
Abristes a porta de tua casa novamente,
Abristes também o teu coração,
Entrei em tua casa,
Refugiei-me em teu coração.
Quando ajoelhastes naquela noite,
Não o fizestes mais sozinha.
Eu estava contigo...
Orava contigo agradecendo as bênçãos desse amor.
Obrigado, Senhor! Obrigado!
Clamei ente lágrimas para o Aba.
Fui andarilho nesta vida,
Andando por muitos corações áridos,
Mas Tu me trouxestes para o meu lugar,
Debaixo de Tua mão
E dentro do recinto onde mais amo estar:
O coração do meu amor!
O Aba sorriu feliz...
... e eu mais ainda!!!