O que se contava
nos corredores da quimera era que quando ele chegou, na rua havia sido um homem
com alguma influência.
Na cadeia, ser
influente é alguém que tem um bom emprego, um bom salário, família estruturada,
portanto, para essa espécie de gente o crime se torna algo distante.
Essa é a crença:
a posição social ou econômica afasta as pessoas do crime.
Tudo um engano.
A criminalidade
não é resultado do status ou poder da pessoa, a natureza é por si só
pecaminosa, são os freios éticos e morais de cada um que impedirão que o mal
quebre a castanha da possibilidade e o crime se torna real.
Neste caso,
estes freios neste indivíduo foram afrouxados pela droga – não se sabe o momento,
nem os motivos que o levaram as veredas do vício, sabemos que do vicio para a
cadeia foi um pequeno passo – para os abismos poucos passos são mais que
suficientes.
Dentro da
cadeia, os freios éticos e morais que estavam afrouxados foram imprudentemente
destruídos.
Uma vez lá
dentro, ajuntou-se com a nata da vagabundagem, com a escória da prisão,
estabeleceu intimidade com essa gente e com essa gente abraçou a miséria em seu
esplendor e de tal forma acostumou-se com ela que desapareceu no núcleo mais
imprestável da penitenciária.
Essa descida
para esse abismo foi sem freios, queda vertiginosa, e pelo caminho foi ficando
família, dignidade, honra e, por fim, a saúde, tudo escoou por esse ralo
chamado leviandade.
A droga levou
tudo dele, até mesmo a consciência de seu estado deplorável.
Num instante,
começou a ser frequentador da enfermaria, internações viraram rotina; remédios,
drogas e procedimentos clínicos tornaram-se seus companheiros diários e, isso
tudo, somado a sua vida de abusos o resultado foi o esquife, um ataúde guardou
o homem que um dia, chegou a ser considerado influente na cadeia.
O crime não
escolhe ninguém, as pessoas escolhem o crime; da mesma forma, são os homens
que, por suas escolhas, mergulham nos abismos mais profundos.
Nesse dia, um
dia igual e cinza como qualquer outro, esse preso foi engolido pela boca voraz
de um tumulo e o que ele foi, o que poderia ter sido ficou esquecido para
sempre... para sempre.... dentro do abismo que ele mesmo escolheu.

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