sábado, 30 de agosto de 2008

UM DOCE DE GURI


Escapava, de mansinho, pela porta dos fundos da casa. Livre, corria com um sorriso nos lábios, os braçinhos infantis balançando ao vento; nos olhos, o brilho pueril de estar cometendo uma travessura. Doces travessuras! No sentido literal e etimológico da palavra. Em suas fugas vespertinas, corria a doçaria vizinha à sua casa. Estando lá, de uma janela que dava de frente com o dono do lugar a preparar os doces, ficava ali, admirando, a barriga a roncar sonhos de guloseimas. Não demorava muito e o anjo da guarda que protege as crianças dava sua singela contribuição. Um dos doces que estava sendo preparado para o comércio, quebrava-se, repentinamente, inutilizando-se para a venda. O dono sorria olhando o garoto fujão e pegava o pedaço do doce e enchia-o com calda de doce de leite. O garoto sorria, o sorriso mais puro, mais cristalino, que pode haver para sorrir. E o homem, satisfeito, voltava ao seu trabalho, não sem antes de ver o afã com que o quitute desaparecia na boca do menino. Então, homem e garoto, conversavam de coisas que só se podem ser conversadas entre homens e meninos de boa vontade. O garoto perguntava, repetidas vezes, e o homem, paciente, respondia-o. Daí a instantes, o guri desaparecia e atrás deixava no homem a certeza de seu retorno no dia do amanhã, quando então, quebraria mais um doce para o garoto. Com essa desculpa, aplacava a ira da mãe do fujão que o achava a incomodá-lo. Pobre mãe! Justa mãe! Ela não sabia que o sorriso do garoto ao ganhar o doce quebrado, sorriso de anjo, era o preço mais valioso que ele recebia por um de seus doces!!!

3 comentários:

Henrique disse...

Lindo texto!

Pude me enxerguei a mim mesmo.
Indo até a venda de meu vô aqui na frente de casa, e ali ficar até ele me dar um bombom... hehehe...

Saudades disso, saudades de meu vô!


abraços

Parabéns!



Henrique Silva Duarte

G I L B E R T O disse...

Henricão!!!

Sinto-me recompensado!

Por fazer voltar a ser criança de novo!

POr fazer você voltar a se lembrar de "Seo" Nego, grande "Seo" Nego!

Por eu me lembrar do amigo "Seo" Nego, dos tempos que morei vizinho aí dele!

É bom lembrar...

Obrigado por você me fazer lembrar de um tempo que se foi, e que foi bom!

lindinha disse...

Nossa adorei o texto!Achei muito meigo e imaginei vc. menino fazendo isso!Muito lindo, parabens meu querido amigo!!