quinta-feira, 15 de setembro de 2011

ÀS MARGENS DO RIO TEJO EU SENTEI E CHOREI...


Não se cruza o Tejo impunemente.
Ao sentir o frescor que sopra do rio algo em você se transforma, um estado de êxtase se estabelece em seu intimo e tudo se prepara para a contemplação da paisagem do rio e de você próprio.
Suas águas te convidam para um mergulho dentro de si mesmo e somente os corajosos aceitam este convite.
Eu sempre soube que meu primeiro dia no Tejo seria especial, somente não sabia que este dia seria eterno.
Estávamos todos lá, pela primeira vez em muitos anos, mamãe, papai, mana e eu – e os amei neste dia do mesmo jeito que os amei lá atrás, quando nossa vida era absolutamente entrelaçada.
Por um novo momento em nossas vidas desgarradas, éramos uma família novamente, com nossos sorrisos e lágrimas, com nossas dores e fortalezas, com nossas fraquezas e possibilidades, com todos os nossos erros e acertos, com todo o amor, enfim, imperfeito e verdadeiro que sempre existiu e nos uniu.
Eu quis dentro daquele instante que o momento fosse eterno, que nunca mais se acabasse e que tudo o que sempre foi nosso, de belo e de feio, se instalasse permanentemente nas prateleiras de nossos dias mais comuns.
Mas assim não o foi.
O tempo e o destino nos oferta com uma mão e tira com as duas.
Na hora de ir embora e dizer adeus a este mágico dia eu sentei à margem do Tejo e chorei, quieto, manso, comigo mesmo e mais ninguém, não queria que minhas dores fossem alimentar as dos meus queridos.
Chorei porque sabia que dias perfeitos não existem de verdade, e, quando se criam por uma mágica qualquer, eles se vão embora para sempre.
Chorei porque sabia que logo ia embora e meu caminho era longo e pedregoso e que por minha estrada, não caminhariam meus queridos comigo, eles têm suas próprias veredas.
Chorei e minhas lágrimas foram se juntar às águas belíssimas do Tejo, este rio que é o sangue de Portugal, sangue este que também corre em mim.
Saudades do Tejo.
Saudades deste dia perfeito que não é mais vivo, é somente mais um item dentro da minha história.
Dentro do tempo este dia foi somente mais um dia. Dentro do meu coração, ele foi e sempre será eterno.


Observação: O título é uma paráfrase, e uma homenagem, à obra de Paulo Coelho, notável escritor brasileiro.

7 comentários:

olhar disse...

me emocionei ao te ler...e pude sentir cada palavra sua escrita aqui...que belo!

Parabéns!

É no nosso coração onde guardamos os maiores tesouros desta vida!

Um beijo,

Bia

ROSANA VENTURA disse...

SAUDADES DEMAIS DA BLOGOSFERA, DO TEU CANTINHO MAIS QUE ESPECIAL.TEU TEXTO HOJE É UM ARRAZO ( NO BOM SENTIDO!)
LINDOOOOOOOOOO!
SEMPRE UM PRAZER VIR AQUI, ME ENCANTAR E ME EMOCIONAR AO LER-TE!
BJOOOOOOOSSSSSSS

URBAN.GO disse...

Gilberto amigo ... mantêm sempre assim esse teu coração!
Um dia, quem sabe ... o Tejo será mais do que uma boa recordação?!!
Abraço.

Sonhadora disse...

Meu querido

A vida é feita de momentos...por vezes pequenos momentos mas que duram o tempo suficiente para se tornarem eternos.

Como sempre adorei ler-te e deixo um beijinho.

Sonhadora

Mônika . G disse...

Oie Gilberto
que blog lindo adorei tudo por aki já coloquei minha carinha bem ali no seu mural :)

PS: Obrigada pela linda visita que fez no meu blog, adorei suas palavras! Espero que volte sempre :)

Grande beijos e um lindo sábado ...

Desnuda disse...

Olá Gilberto!


O texto emociona bastante.É bonito. No coração guardamos todo o sentido da vida.

PS: Agradeço a visita e o gentil comentário

Beijos com carinho e ótimo fim de semana!

Katia Sirlene Avelino Mendes disse...

Mais uma vez superaste-te. Sei que fazes com o coração e acredito que só assim és capaz de deixar-nos extasiados. É sempre muito bom ler-te. Para mim teus escritos é um bálsamo em minha vida. Nunca deixe de fazê-lo. E concordo contigo, é impossível visualizar, sentir e navegar pelo Tejo sem que alguma coisa aconteça em nossos corações. Saudades... meu irmão, de ti, de nós... amo-te. Isso por aqui já não é a mesma coisa, não depois de você...Beijo.