terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A CANADENSE E O BRASILEIRO 2

Este texto nasceu de uma idéia de MELANIE BROWN e, portanto, a ela eu o dedico.

Tudo o que se segue é um exercício de imaginação, pois não tenho como saber de que cores foi pintada a tela da vida da pequena canadense depois de meu encontro com ela, mas meus anseios todos por ela são puros e bons. Talvez, medito, nossa vida seja apenas um exercício fértil de imaginação. Talvez estejamos todos em um canto qualquer de outra dimensão sonhando com o que somos aqui e nada aconteça de verdade, a nós são oferecidas todas as perguntas e negadas as respostas, devemos provar que as merecemos para conhecê-las.
A canadense deixou em mim a sensação de que toda sua odisséia pessoal nada mais fosse que senão uma busca por respostas e que no início de tudo, ela sempre soube que elas (as respostas) nunca estiveram no Canadá, nem nas dezenas de caronas que tomou pelo caminho, nem ali comigo e nem, provavelmente, com a amiga no Paraná. Ficou-me a sensação que sua odisséia era sua busca pessoal pelo merecimento, pois somente empunhando esse cálice sagrado poderia sorver todas as respostas.
A verdade é que nunca a vi como mulher, e isso me impede de imaginar para ela um final que nos soe como razoável dentro do que conhecemos como realidade: namorado, filhos, uma casinha de cercas brancas nas montanhas, enfim... enfim...
Enxerguei-a como uma metáfora de todos nós, sua busca é a nossa busca; sua mochila pesada, nossa carga; suas caronas e seus passos em direção ao horizonte, as formas que encontramos para seguir em frente; e eu, sou apenas um lampejo de consciência que tenta ensinar o caminho; e, sua piscadela de olhos, uma epifania, uma poesia que feito flores foi colhida à margem do caminho.
Teria sido mais fácil tê-la visto como mulher, seria mais fácil lhe desejar coisas boas, mas o que seria felicidade para ela? Até porque sinto que coisas definitivas não encaixam no modelo que construí dela dentro de mim, estes espíritos nômades não se adéquam no modelo de felicidade que a maioria das pessoas tem para si, esta gente é livre em plena acepção da palavra e nada os pode ancorar, amarrar ou deter, eles precisam seguir em frente... sempre...
Dia desses mudei o rumo de meus pensamentos em relação a ela e pensei que a pequena foi um anjo que aterrissou em meu caminho, sua grande mochila, na verdade, escondia um par de asas poderosas. Esteve ali para me mostrar que cansaços e frustrações fazem parte, mas a vida reconhece somente aqueles que se reinventam todos os dias na busca do merecimento. Neste novo pensamento, ela não buscava, e sim distribuía.
Volto meus olhos para mim e sobre todos vocês, vejo mochilas em nossas costas e estamos na estrada tentando fazer por merecer as respostas...
... e, em algum lugar, a pequena canadense questiona um alguém qualquer sobre um destino e ouve atentamente a resposta. Não diz nada, dá uma piscadela com ambos os olhos como se com esse gesto abençoasse a pessoa e parte, caminhando sempre em frente.

Pego minha mochila, prendo-a em minhas costas e sigo meu caminho, antes, dou uma piscadela d’olhos para todos vocês, meus amores!

10 comentários:

HSLO disse...

Estava sumido daqui amigo...desculpas.


um abraço
de luz e paz

Carla disse...

Gracinha, Gilberto.
Talvez a felicidade dela seja concebida de uma forma diferente na que fatlamente se espera. Talvez seja feliz em apenas seguir. Minhas asas estão abertas e meu caminho na minha frente ...

belo post


beijinhos

Pat. disse...

wow que lindo!

Adorei tudo que li aqui.. e é uma grande verdade meu amigo querido... carregamos nossas mochilas com tudo que sentimos dentro atrás de respostas...

Esta parte que escreveu foi demais:
"... Esteve ali para me mostrar que cansaços e frustrações fazem parte, mas a vida reconhece somente aqueles que se reinventam todos os dias na busca do merecimento. Neste novo pensamento, ela não buscava, e sim distribuía..."

Um grande beijo especial.

**♥✿-franciete-✿♥** disse...

Que Deus também ilumine tua viagem em todas as rectas e curvas da tua vida com teu anjo Canadense.
Adorei te ler e voltarei mais vezes para te seguir e desejar coisas boas em tua longa viagem, que Deus e teu anjo te protejam, beijinhos de luz e paz.

Sonhadora disse...

Meu querido

Um texto como sempre cheio de vida que carregamos nas costas, como uma mochila.

Deixo um beijinho
Sonhadora

Cria disse...

Bela postagem, verdadeiramente ! Beijos.

Regina disse...

E podemos dizer que esta canadense, de uma certa forma, é a personificação do que gostaríamos de ter, fazer... Liberdade, coragem, ousadia...

Gilberto, querido, continuas afiadíssimo e afinadíssimo em seus textos!

Bom voltar a lê-lo... Bom voltar ao "Devaneios..."

Beijos!!

ValeriaC disse...

Linda a continuação do seu texto... uma mensagem libertadora...beijos
Valéria

PRECIOSA disse...

Olá ....Gilberto
Passei para desejar a ti uma boa noite, regada de paz e amor
Tem um mimo meu para ti em meu blog
Abraços carinhoso
Preciosa Maria

Claudia Ka disse...

Olá, estava passeando pela net e vi seu blog... Tenho um blog musical, bastante eclético. A proposta é a divisão musical segundo temperos e cores auditivas. www.temperomusical.blogspot.com
;-)