terça-feira, 28 de setembro de 2010

SONHOS DE UMA NOITE DE OUTONO

Hoje, acordei fardado de tristeza, calcei o mais lustroso dos coturnos de desilusão, coloquei no bolso o distintivo e o brasão da tropa “Onde está meu futuro?” e saí para a rua, para a ronda ostensiva no meu espírito irrequieto.



Num bairro da periferia, numa vila de reputação duvidosa, encontrei esperança fumando um cigarro de “engana que eu gosto” e dei batida, mandei-a para a parede, “Geral, malandragem!”



Enquanto a trancava no baú do camburão, a esperança olhou-me dentro dos olhos e apaixonei-me por ela à primeira vista. Vestia-se como uma vagabunda, mas, entende-se lá porque, enxerguei seu coração...



Modulei pelo rádio e puxei sua capivara, uma ficha mais branca que bundinha de nenen. Vejam só como é a vida, fui dar um saculejo na vila desilusão e encontrei esperança, ainda que a cara fosse toda pintada de pilantragem a ficha limpa não negava sua inocência.



Tirei-a do baú, coloquei-a sentada no banco da frente da viatura desespero e levei esperança para o centro de minha vida, um apartamento pequeno e confortável no edifício coração.



Casei-me com ela, dei a ela um teto e ela, no primeiro ano, deu-me um filho a quem chamamos Possibilidade.



Hoje, vivo bem, vivo feliz, tenho Esperança e tenho possibilidade.

15 comentários:

SolBarreto disse...

Adorei o texto...
Tem um dom maravilhoso de falar coisas serias em tom doce e criativo!
Ahhh fez um excelente casamento, nada como a Esperança para renovar a nossa vida rsrs

Marilu disse...

Querido amigo, que criatividade!!!adorei seu texto, e espero que seja muito feliz com a Esperança. Beijocas

Fatima disse...

Vc é muito lindo Gilbertomeuzinho!
bjs.

Cria disse...

Repleto de beleza, poeta amigo ! Beijos.

URBAN.GO disse...

Gilberto, isto és tu no teu melhor.
É muito bonito quando estas coisas saem de dentro de nós não é?

Este é (se não me engano!) um daqueles textos que escrevemos de uma assentada, quase sem respirar, à espera de ver como fica.

No mínimo ... parabéns!
Abraço. :)

T. disse...

Fantástico! Sua criatividade é impossivelmente encantadora! Maravilhoso, Gilberto!

*lua* disse...

Ei seu guarda ... prende uma dessas vagabundas para mim??? Irei dar também, casa, comida e roupa lavada!!! Tem jeito??? Beijo meu lindo, amei viu!

Valéria Sorohan disse...

É como se debruçar na janela...de fora para dentro d,alma. Lindo conto.

BeijooO*

Anna disse...

Arrepieii ! LIndoo !

Manuela Freitas disse...

Excelente texto Gilberto e realmente a felicidade pode estar onde menos se espera!...
Beijinhos e bom fim-de-semana,
Manú

Colecionadora de Silêncios disse...

Oi, Gilberto!

Maravilhoso, meu amigo! Vc tem a sensibilidade dos grandes poetas! Parabéns!

Olha, eu estou de casa nova e me daria muita alegria vê-lo por lá, viu?

Tenha um lindo fim de semana!
Beijos

ROSANA VENTURA disse...

ESPERANÇA E POSSIBILIDADES...dupla mais que dinamica que jamais devem se separar!
Como tudo o que escreves, este texto prende nossos olhos e qdo a gente termina começa a ler de novo para absorver um pouco mais dessa sua sensiblidade...
lindo demais!
bjosssssssss

J@de disse...

Estou revisitando os blogs que um dia me visitaram porque tendo computador em casa dá mais tempo.
Pena ter ficado tanto tempo sem vir aqui, seus textos são muito bons!
Agora não perco mais!!
Beijos!!

Lua Nova disse...

Pois é tudo que alguém pode desejar.
Se olharmos com atenção, a felicidade está bem perto, onde menos esperamos. Pra vê-la, é necessário acreditar nela.
Beijokas.

Pat. disse...

Que texto Gil ?!
Me surpreendeu bastante... adorei!

Não podemos ficar sem elas não?!

Beijão lindo.