
As boas maneiras são vistas com vastas desconfianças pela velha megera, educação e gentilezas, por vezes, escondem os piores monstros que a cadeia já viu. No caso dele, ainda que houvesse se tornado um criminoso, um caminho que ele próprio escolheu, sua maneira de se portar muito refinada estava incrustada em sua personalidade feito uma pedra preciosa, não se pode esconder ou condenar os legados que vêm do berço, estes são sempre autênticos.
Acontece que naquele dia foi transferido de pavilhão, saiu do raio que abrigava a fina flor da bandidagem para um local que, teoricamente, abrigava internos mais tranqüilos. Na cadeia, salienta-se mais esta premissa, tudo é teoria e, na maioria das vezes, não encontra ecos na prática. Com este jovem foi mesmo assim, suas diferenças tão protuberantes não atentaram contra ele naquele lugar acostumado a grosserias e violência. Pode-se testemunhar que, em certas ocasiões específicas e sob os devidos estímulos, até mesmo no inferno uma luz pode brilhar. No abrir da porta de sua cela despediu-se dos colegas internados com generosos agradecimentos e os distribuiu depois fartamente nas outras boquetas das outras celas. Suas frases eram um sanduíche de “obrigados” com “fiquem bem” recheados com “desculpas por alguma coisa”. A “ladrãozada” comemorou sua partida como se fosse ele igual a eles, ainda que, a olhos vistos, a educação dele abria um abismo entre o indivíduo e o grupo.
Pegou suas coisas, uma matula de roupas e um colchão velho e seguiu o seu destino pelo grande corredor central da cadeia. De longe, pude ouvir o eco de sua voz quando adentrava o novo pavilhão, sua nova casa pelos próximos cinco anos.
- Com sua licença, Senhor!
E o portão de grades de aço fechou-se atrás dele....
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