terça-feira, 12 de janeiro de 2010

TARZAN, O REI DOS QUINTAIS


Na mais fresca e suave das eras de minha existência, vivi numa pequena cidade ao oeste do Paraná onde conheci as mais fantásticas aventuras. Lá fui astronauta e fui alienígena, fui índio e fui cowboy solitário, fui bandido e fui mocinho, fui super-herói e, acima de tudo, fui criança.

Tudo era mais simples naqueles tempos.
Um terreno baldio, um campo de futebol.
Um punhado de meias velhas entrelaçadas, uma bola.
Uma vareta qualquer e um barbante, um arco.
Latas de óleo viravam carrinhos, cabos de vassoura transformavam-se miraculosamente em cavalos puro-sangue e, mesmo quando nada se tinha, bastava apenas um bando de guris e gurias e pronto, a magia estava criada. A magia era maior naqueles tempos, mais presente, mais vívida.

Naquela época brincávamos muito de Tarzan. Morava numa casa com quintal enorme e que tinha diversos tipos de árvores frutíferas e transformávamos a velha laranjeira de farta copa e galhos generosos na casa do Rei dos Macacos e sua família. Eu era o Tarzan. Havia uma menina que, se não me engano, perdoem-me a memória traiçoeira, chamava-se Eliane, e ela era a Jane. A macaca Chita era sempre um gurizinho branquela de rosto sardento que de Chita mesmo, nada tinha – a imaginação de uma criança é um poderoso afrodisíaco para as brincadeiras. E, por aí vai, aparecia mais um, era o Boy, o filho do Tarzan; mais outro, o Jim das Selvas; outro qualquer, sem problemas, Daniel Boone. Não faltavam personagens, não faltavam lugares na velha laranjeira, não faltava boa vontade para que todos brincassem.

Eram tempos onde a pureza, a ingenuidade, a solidariedade, a generosidade ainda andavam entre os homens, sobretudo nas crianças, espalhando sorrisos e camaradagens.

Ainda lembro-me dos meus poderosos gritos de Tarzan, bem ao estilo Weismüller, pulando de galho em galho e subindo em outras árvores para buscar frutas – era a regra, cabia ao Tarzan alimentar todo mundo. Delicioso era chupar fruta tirada na hora do pé...

Oh! Tempos bons aqueles. Morria-se uma dezena de vezes ao dia, nas brincadeiras, e ressuscitava-se outras tantas. A violência era somente uma sugestão, vencer e perder eram dois lados de uma mesma moeda, tanto um como outro ajudavam na nossa formação. Hoje, quando vejo as crianças atoladas em Playstations e MPs qualquer coisa, sinto algo que se parece com compaixão por elas. As crianças de agora jamais serão crianças como as de ontem e, os heróis “modernos”, jamais possuirão o romantismo que vestia os paladinos de minha infância.

Perdoem-me a nostalgia, mas sinto em meu peito nascer forte o Tarzan, o rei dos quintais que fui um dia e chamar-me-ão de louco toda a minha vizinhança, mas, por essa alegria súbita e pueril, pago esse preço sem pestanejar.
Abro o diafragma, limpo a garganta, estufo o peito, olho firme para o horizonte e....






ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔHHHHHHHHH!!!!!

10 comentários:

ROSANA VENTURA disse...

...rsrsrsrsrs!!!!Voce era Tarzan...pior era eu que aos 7 anos cismei em ser a BATGIRL...vivia me estatelando pelo chão pulando da janela de minha vó...por sorte não era da janela de nosso ape , onde morava no Rio...senão, seria uma queda livre de 10 andares!!!!!!
Muito bacan este teu post, como é bom voltar a infancia...!
bjos

Fatima disse...

Ah! Gilbertomeuzinho,
os meninos de hoje também brincam, aqui no meu condominio o que tem de Ben 10 não é brincadeira e os monstros dele tb, minha filha ainda brinca de super poderosas.
Mudou, fazer o que.
Muito bom seu texto, Tarzan heim!
Bjs.

Mari Amorim disse...

Gilberto,parabéns!
obrigada amado,vc me fez voltar no tempo,cheguei a me emocionar,acredita?Sou gemea, eu e meu irmão,subimos em um pé de abacateiro,ele era o tarzan eu a jane e o vira lata a xita,ele não amarrou acorda direito e nós voamos por cima da mamãe,só que despencamos e quebramos o braço,tres dias depois estavmos descendo uma rua de terra de carrinho de rolemã era muito divertido.Obrigada por esse post tão bacana,e pela visita,tb sou sua seguidora,a algum tempo,
Boas energias
Mari

Maria das Graças disse...

Gilberto,amei esta crônica. Que encanto, as ternas lembranças de tempos de criança onde o criativo mundo imaginário era soberano.
Não fui Jane mas tive brincadeiras em árvores,pescaria,manjas,pernas de pau e as famosas bolinhas de gude...mil e umas aventuras.

Que belo termos estas lembranças!!!

Um grande abraço.

Me disse...

Bons tempos mesmo, saudades da minha infância querida...
Abraço

Nize Louzan disse...

Que delícia lêr
esta lembrança de infância.
Bateu-me uma saudade,
relembrei coisas pitorescas
da menina-moleque que eu era.
É tão bom lembrar de fatos
que hoje refletem com tanta
certeza o que somos.
Amei,amei de coração.
bjs.

Cris França disse...

Ah Gil que delícia de reminiscência esta tua...
Lembro agora que eu brincava de vários personagens, mas que me vm a mente muito forete é que eu era a Isis ( nossa que velha...rs) não podia ver armar um temporal para sair na rua e ficar desafiando o vento, raios e trovões e minha mãe gritando lá de casa: Entra logo menina! ,rs bjs

Vanessa Souza Moraes disse...

Tá perdoado.

Acaso a infância tenha sido feliz, vale a pena lembrar.

Glorinha Leão disse...

Tem coisa melhor, amigo que entrar nesse túnel do tempo e ver como éramos felizes?
Mas, como diz a canção, o tempo não pára..e hoje, são outros...as crianças, agora, sonham com computadores e todo tipo de parafernália tecnológica...nossos sonhos eram muito mais doces e simples. Talvez por isso, fomos mais felizes e com muito menos problemas emocionais...
Beijos

Regina disse...

Gilberto, querido!!

Maravilhosa nostalgia na qual me transportaste... Senti-me lá, vendo-te acima, nas árvores, gritando como o Tarzan e colhendo frutas para a Chita, a Jane e cia!! rsrs...

Também na minha infância, comia fruta colhida diretamente do pé e era uma delícia... Goiaba, caqui, pêssego!! Hummm, que lembrança boa!...

Realmente, ser criança naquela época tinha um sentido mais profundo. Hoje em dia, perdeu-se o encanto, a pureza, a ingenuidade... Tudo é mais fácil, artificial e, por isso mesmo, não se dá o devido valor às coisas, às pessoas... Vivemos num mundo automático, mecânico... Os valores se perderam...

Necessitamos de mais “Tarzans”, como tu fostes, neste mundo atual!!

Beijos!! (Ah, em tempo: eu também adorava o Tarzan, achava o seu grito sensacional!! rsrs...)