terça-feira, 8 de abril de 2008

À Mariana, a Infante!




É noite, e geralmente é noite quando escrevo, meu amor!
Não sei, não sei porque amo tanto a noite,
E todos os mistérios que dançam em seu palco.

Talvez a ame, por ser eu um simples coadjuvante em seu cenário...
Ou por ser apenas mais um entre os seus milhões de protagonistas.

Como saber? A noite é feita de questionamentos,
Assim como a vida o é.
Não quero me perder em questionamentos sobre a noite.
Assim como não quero me perder em questionamentos sobre a vida.
O que importa, o que é fundamental nesta história,
É viver, a vida e a noite... as respostas
Nascerão por si mesmas, por si mesmas.

E, minha querida infante, a vida começa para ti.
Muitas noites nascerão para ti e todas elas
Sucumbirão ante o poder de Aurora, a Deusa de áureos dedos.

Mas a noite retornará sempre, negra, forte,
Sedosa, misteriosa, lírica, livre, eterna.

Porque a noite tem a sua força e seu encanto,
Tal qual o dia.

Porque a vida é mesmo assim, uma página em branco,
Onde o destino nela escreve,
Ás vezes com crueldade,
Ás vezes com condescendência,
Em raros instantes, com bondade.

Em sua vida, haverá bons momentos,
Haverá péssimos momentos,
Todos eles convergendo para sua construção interior.

Será no conteúdo, que valorizarás o frontispício.
Será depois das lágrimas teus sorrisos mais satisfatórios.
Não colheras rosas sem que se firas nos espinhos.
O sofrimento faz parte da vida,
Aprenderá isso na carne e no coração.

Deves estar preparada para a vida,
E para todas as vicissitudes que ela nos apresenta.

Deves estar pronta para aprender com ela,
Olhá-la dentro dos olhos,
Tendo a sabedoria necessária para usar
Como alavanca, as barreiras;
Como energia, as lágrimas;
Como amortecedor para a euforia tentadora, a humildade.

Será na temperança e na humildade que encontrarás
A sabedoria, e, onde estiver a sabedoria,
Ali encontrarás a felicidade.

Agora vá, minha doce infante!
Partas para as noites e para a vida.
Leve consigo minha benção,
Como um espectro luminoso a te guiar
pelos sombrios caminhos desta vida,
Desviando-te do mosaico de tentações
Que insidiosamente buscarão tirar-te de sua estrada.

Sejas feliz na mais bela das noites,
Aquela noite que está porvir....



Do seu tio Gilberto Avelino Mendes, escrita em Fátima do Sul, Mato Grosso do Sul, Brasil, na data de 06 de março de 2004.

2 comentários:

Dumuro disse...
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