sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

PAPO FITTNESS

Aguardávamos  com deliciosa ansiedade e, quando chegaram, nossos beijos e abraços foram se encontrar com eles – amigos e carinhos são uma combinação perfeita.
Seguiu-se o script natural para essas ocasiões de encontros fraternos algum tempo adiados. As vitórias foram comemoradas com sorrisos e Glórias a Deus; o que estava em “stand by”  na jornada cotidiana foi agraciado com solidária esperanças e Deus proverá; o que não deu certo não encontrou ecos em lamentos, e sim, a vontade de Deus é sempre maior – amigos e entusiasmo também são uma ótima combinação.
Ocorre que em nossa casa amigos e comensais são sempre a mesma coisa, e o papo que se estabeleceu na sala escorregou para a cozinha.
Todos à mesa, devidamente instalados, talheres à postos frente a um refrigerante gelado, descobrimos que a oferta do dia seria uma pizza – rescaldo da promoção da igreja.
Em pouco tempo de forno, o cheiro da iguaria “italiana” já acariciava os olfatos de toda a casa, para todos prenúncio de guloseimas, para mim deliciosa tentação.
Logo, e muito logo, cada prato abocanhou generosa fatia e no meu repousava triunfante um triângulo calórico de muçarela e calabresa.
Olhei para ele (o pedaço de pizza) e ele olhou para mim de forma zombeteira. À minha frente, os amigos comiam sem culpas ou atentados à consciência, felizes aqueles que não se preocupam com calorias. Não era o meu caso, confesso.
Ao meu lado, minha esposa atirava-me um daqueles seus olhares sabichões, que sempre parece dizer: “Eu sei o que se passa com você!” Junto, acompanhava um sorrisinho que era metade escárnio, a outra banda era compaixão. Oh, minha bela Eva, tentas teu Adão com pizza?
Comecei comer minha porção movido por variada gama de contradições e sentimentos: desejo e repulsa, paixão e loucura, obrigações e desatinos, como evocar o lema maior de todos os discípulos fittnessmens sana in corpore sano”  diante de um suculento pedaço de pizza? Eis a questão que se agigantava.
Os amigos já atacavam o segundo pedaço e eu cortava meus bocados com a culpa de um homicida confesso – e, quando acabei, após cometer o sacrilégio de tomar quatro goles de refrigerante restavam em mim algumas certezas: que pizza é a maçã do Adão moderno; que calorias e consciência são como água e azeite; e, o day after, para mim, seria de dor e sofrimento na academia.

De todas as conclusões, a última foi redentora e me deixou feliz, tão feliz que aceitei dividir com minha Eva mais a metade de um pedaço sem o refrigerante, é claro. Assim como o Adão original, o similar também caia.

Um comentário:

✿ chica disse...

Adorei te ler e ver a comparação da pizza com a maçã pecadora,rs Legal! Fazia tempo! abraço,chica