quinta-feira, 8 de março de 2012

POEMA de RABINDRANATH TAGORE


Eu andava a cada dia pelo velho
Caminho. Levava os meus frutos ao
Mercado, o meu rebanho para os campos, e
Cruzava o rio com o meu barco. Todos os
Caminhos me eram familiares.


Certa manhã o meu cesto pesava
Muito. Os homens se afastavam nos campos,
As pastagens estavam apinhadas de
Rebanhos, e o peito da terra ofegava,
Alvoroçado pelo arroz maduro.


De repente, um tremor correu pelo
Ar, parecendo que o céu me beijava a
Fronte. O meu pensamento levantou-se em
Sobressalto, como a manhã levantando-se
Da névoa.


Esqueci-me de seguir o caminho.
Andei alguns passos fora da trilha, e o meu
Mundo familiar pareceu-me estranho,
Como a flor que eu só tivesse conhecido em
Botão.


A minha sabedoria cotidiana se
Envergonhou, e eu me desviei para o
Fantástico reino das coisas. A maior sorte
Da minha vida foi perder o caminho
Naquela manhã. Encontrei então a minha
Eterna infância!

do poeta indiano Rabindranath Tagore

2 comentários:

Marilu disse...

Querido amigo, a filosofia das religiões da Índia são mesmo incríveis. Tudo faz sentido, tudo tem um pq, lindo poema. Beijocas

Sonhadora disse...

Meu querido

Simplesmente maravilhoso este poema,não conhecia.


Um beijinho com carinho
Sonhadora