sexta-feira, 28 de agosto de 2026

UM TIRO CERTEIRO

 


Novos tempos trazem novas necessidades.

Novas necessidades exigem novas capacidades.

Novas capacidades ordenam novas responsabilidades.

Dentro da cadeia, é tudo um jogo de gato e rato.

Ladrão abre portas, polícia as fecha.

E, quanto mais portas se fecham, outras tantas o ladrão busca abrir.

Foi assim com os drones.

A polícia fechou tantas portas, que a única que restou foi a de cima.

Os ilícitos começaram a vir para dentro da cadeia nas asas desses aparelhos não tripulados.

Chuva deles nas madrugadas.

A polícia teve que se adaptar.

Portas abertas em cadeia exigem que sejam urgentemente fechadas.

Cadeia é lugar de porta trancada.

Numa dessas muitas madrugadas da penitenciária, em uma dessas muitas viagens de um desses pequenos aparelhos, alguns policiais estavam no teto da cadeia, a observar tudo, a buscar uma forma de capturar o malote de ilícito – atrasar o ladrão é o mais saboroso dos trabalhos da polícia – quando o drone veio e ficou a sobrevoar a tela, tentando encontrar uma brecha que havia sido fabricada pelo ladrão.

É um jogo de gato e rato...

Por um breve momento, o drone ficou parado, quieto, levitando entre o céu e a terra, o policial de cima do telhado o viu, estava uns trinta metros de distância dele, não tinha tempo, ele pegou a sua arma, fez a mirada e sapecou o  balaço, sem pensar, sem pestanejar, fez e pronto.

O tiro foi certeiro.

Acertou em cheio.

O drone caiu fumegante em cima da tela de proteção.

O policial guardou a arma.

Não houve comemorações. Não houve nada...

Saiu em direção daquela parte do telhado para recuperar o diminuto aparelho que ainda fumegava.

De onde estava, podia ver nas boquetas das celas os olhares frustrados dos ladrões, alguns até mesmo espantados com a ação e a qualidade do tiro.

Recuperou o drone, junto com o malote de ilícitos.

Saiu em direção a base.

Trabalho concluído com sucesso.

Havia nele uma satisfação de trabalho bem-feito, atrasar o ladrão é o mais saboroso dos trabalhos da polícia.

E ele fazia bem isso...

Sem arroubos...

Sem comemorações...

Sem medalhas...

Sem recompensas....

Quase sempre no anonimato....

Mas, tudo bem... heróis fazem o que fazem porque essa é a função deles, é para isso que existem...

Seus feitos são contados e recontados nas artérias da quimera em odes e poesias que falam de heroísmo puro.

Viram lendas....

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