Novos tempos trazem novas necessidades.
Novas
necessidades exigem novas capacidades.
Novas
capacidades ordenam novas responsabilidades.
Dentro
da cadeia, é tudo um jogo de gato e rato.
Ladrão
abre portas, polícia as fecha.
E,
quanto mais portas se fecham, outras tantas o ladrão busca abrir.
Foi
assim com os drones.
A
polícia fechou tantas portas, que a única que restou foi a de cima.
Os
ilícitos começaram a vir para dentro da cadeia nas asas desses aparelhos não
tripulados.
Chuva
deles nas madrugadas.
A
polícia teve que se adaptar.
Portas
abertas em cadeia exigem que sejam urgentemente fechadas.
Cadeia
é lugar de porta trancada.
Numa
dessas muitas madrugadas da penitenciária, em uma dessas muitas viagens de um
desses pequenos aparelhos, alguns policiais estavam no teto da cadeia, a
observar tudo, a buscar uma forma de capturar o malote de ilícito – atrasar o
ladrão é o mais saboroso dos trabalhos da polícia – quando o drone veio e ficou
a sobrevoar a tela, tentando encontrar uma brecha que havia sido fabricada pelo
ladrão.
É
um jogo de gato e rato...
Por
um breve momento, o drone ficou parado, quieto, levitando entre o céu e a
terra, o policial de cima do telhado o viu, estava uns trinta metros de distância
dele, não tinha tempo, ele pegou a sua arma, fez a mirada e sapecou o balaço, sem pensar, sem pestanejar, fez e pronto.
O
tiro foi certeiro.
Acertou
em cheio.
O
drone caiu fumegante em cima da tela de proteção.
O
policial guardou a arma.
Não
houve comemorações. Não houve nada...
Saiu
em direção daquela parte do telhado para recuperar o diminuto aparelho que
ainda fumegava.
De
onde estava, podia ver nas boquetas das celas os olhares frustrados dos
ladrões, alguns até mesmo espantados com a ação e a qualidade do tiro.
Recuperou
o drone, junto com o malote de ilícitos.
Saiu
em direção a base.
Trabalho
concluído com sucesso.
Havia
nele uma satisfação de trabalho bem-feito, atrasar o ladrão é o mais saboroso
dos trabalhos da polícia.
E
ele fazia bem isso...
Sem
arroubos...
Sem
comemorações...
Sem
medalhas...
Sem
recompensas....
Quase
sempre no anonimato....
Mas, tudo bem... heróis fazem o que fazem porque essa é a função deles, é para isso que existem...
Seus
feitos são contados e recontados nas artérias da quimera em odes e poesias que
falam de heroísmo puro.
Viram
lendas....

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