sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ELOGIO DA MADRASTA



Mario Vargas Llosa é um dos maiores escritores do continente sul-americano e, para mim, especificamente, foi uma sensação deliciosa conhecer seu texto. Ele é daqueles do naipe de Gabriel Garcia Marquez, colombiano, que extrai a força de sua pena de sua capacidade de contar estórias.
Llosa é um desses, é um ótimo contador de estórias.
Desta vez, entrega “Elogio da madrasta”, um romance de alta densidade erótica, que li num suspiro, montado no mesmo arrebatamento de inicio ao fim. Llosa constrói um triangulo amoroso improvável, escandaloso e que, sabemos que não tem como dar certo, os preços a pagar sempre serão onerosos, mesmo para os inocentes. Não se flerta, afinal, com a bizarrice sem que se pague um preço igualmente bizarro.
Os amores de Llosa nesta obra são intensos, as páginas transpiram as paixões que ronda as personagens, e nossos corações batem no compasso destes personagens, quando eles desfilam pelo palco desta obra magnífica.
Em “elogio da madrasta” o amor somente pode ser perfeito se dele se traduzir uma entrega sexual plena e absoluta. Não existem meios termos aqui. Ainda que o amor exista no espírito, para Llosa, aqui, ele somente se realiza na carne.
E, ainda que toda a construção do livro faça-se no erótico, isto é conduzido com maestria e distinção pelo autor peruano, em nenhum instante ele atravessa a fronteira do pornográfico, o que, convenhamos, tê-la-ia transformado em algo menor.
Perfeito. Vou à busca de outras obras deste autor que desde já se estabelece como um de meus preferidos.
Necessário.


RESENHA:

Lucrécia e dom Rigoberto vivem em contínua felicidade. Ela, uma mulher que acaba de completar 40 anos, nada perdeu de sua elegância e sensualidade; ele, no segundo casamento, descobriu finalmente os prazeres da vida conjugal. Juntos, crêem que nada pode afetar esse idílio, cheio de fantasias e sexo.
Alfonso, ou Fonchito, filho de dom Rigoberto, parecia ser o único empecilho; amava demais sua mãe, Eloísa, para aceitar a chegada de uma madrasta. Mas até ele foi conquistado pelos encantos de dona Lucrécia.
O amor do menino por sua madrasta, entretanto, vai muito além do que se esperaria de uma criança, criando uma linha tênue entre a paixão e a inocência que mudará o destino de cada um deles.
Publicado no final da década de 1980, Elogio da madrasta é uma incursão bem-humorada e sutil de Vargas Llosa na literatura erótica e, ao mesmo tempo, uma sátira bem-humorada dos mitos e temas que consagraram esse estilo literário ao longo dos séculos.

Llosa, Mario Vargas. ELOGIO DA MADRASTA. Editora Objetiva, 160 pp.

O SONHADOR



Quando o stress do cotidiano
Me assalta,
Imperceptivelmente,
Fecho os olhos,
Suspiro fundo,
E deixo-me levar...
Ganho o azul do céu,
A prata das estrelas,
Beijo sol, lua, o cosmos
Numa viagem magnífica
Que me enleva e regozija.
Meus pensamentos bradam,
Minha criatividade renasce,
E, por alguns momentos,
Sou eu novamente.
Crio novos poemas,
Recomponho antigos versos,
Faço novo o que já se foi,
E que nunca deveria ter ido,
E ter sido permanente... Em mim!
Quando esse transe termina,
Sou um menino novamente,
Sou o aprendiz de poeta
Que um dia sonhei ser.
E enquanto o tempo avança,
E vou me sobrecarregando
De responsabilidades,
Sonho mais uma vez,
Acordado e solitário,
Com um novo transe,
Com um novo meu momento,
Para que eu possa me encontrar
Com o que fui,
Ou o que realmente sou:

Um sonhador!!!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Fragmentos de Diário NUNCA escrito por mim


Tenho buscado minha porção lúcida, conheci a loucura e, acredite, apaixonei-me por ela! Esqueças, definitivamente, todos os estereótipos de loucura, minha loucura é totalmente inédita.





Eu faço amor com o esquisito, o bizarro me encanta, os normais são tolos e malditos, minha tribo é a dos psicodélicos... E, ao final, te confesso, tudo isso me assusta um bocado... Ando assustado comigo mesmo!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ESTILHAÇOS I

Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.


Vous êtes belles mais vous êtes vides, leur dit-il encore. On ne peut pas mourir pour vous. Bien sûr, ma rose à moi, un passant ordinaire croirait qu'elle vous ressemble. Mais à elle seule elle est plus importante que vous toutes, puisque c'est elle que j'ai arrosée. Puisque c'est elle que j'ai abritée par le paravent. Puisque c'est elle dont j'ai tué les chenilles (sauf les deux ou trois pour les papillons). Puisque c'est elle que j'ai écoutée se plaindre, ou se vanter, ou même quelquefois se taire. Puisque c'est ma rose.

Trecho de O PEQUENO PRINCIPE, Exuperry




Qual é a maior história de amor do mundo? Penso que nenhuma! Não existem questões de tamanho no amor! Todos os amores são importantes, maravilhosos....




Mas a história de amor que mais me surpreende é a de Dante pela Belle Femme Beatriz, ela transcendeu a própria vida. Dante foi vê-la no Paraiso. (Gilberto)






DEUS foi arquiteto em todos os momentos de sua obra magnífica. Ah! Mas DEUS foi POETA no exato instante em que criou a MULHER!!! (Gilberto)







Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim. (Cecília Meirelles)

QUANDO ESQUECER É IMPOSSIVEL...


Esqueça, simplesmente esqueça...

Ela disse isso com o olhar suplique, com a cabeça levemente inclinada, quase acreditando nas suas palavras, torcendo e querendo que seu pedido fosse aceito.

Esquecer... Esquecer... Como esquecer?


Ele se perguntou em silêncio... Como se esquecer fosse um exercício mecânico de desligar um botão mode on/off; como se esquecer fosse uma trouxa de memórias sujas que levássemos para lavar no tanque com muita água e sabão; como se esquecer fosse o tampo do grande recipiente de memórias que, ao ser retirado este lacre, deixava toda a recordação escorrer para fora de si próprio... Simples assim?

Não, esquecer não se faz dessa forma. Ele soube disso no primeiro momento. Esquecer é uma conquista, é uma odisséia, é obstinação. Esquecer é antes de tudo substituição! Tira-se uma porção ruim da gente, joga-se ela no baú invalido das coisas mortas do passado e, neste espaço, ocupam-se novas coisas, frescas com cheiro do dia, sempre boas, sentimentos cristalinos que alvejarão a soturnidade do sótão das lembranças.

Ela ficou ali, parada, na frente dele, o eco do pedido sendo um fantasma entre eles. Ele a olhá-la, sem maldades, sem desprezos, limpo de raiva e de ódio e, acreditava ele, ser isso uma grande qualidade que conquistara nos últimos tempos. Mas, esquecer.... Esquecer não conseguia... Pelo menos não assim, como ela queria, subitamente. Todos os machucados que lhe foram produzidos por ela ainda lhe eram doloridos e alguns nem cicatrizados estavam, o sangue dessas chagas produzirá uma nódoa difícil de ser retirada à primeira lavada.

Esquecer, seria para ele, um exercício lento, constante e diário. Seria um trabalho de força e boa vontade. Talvez conseguisse, talvez não. Esquecer não está somente na gente, pensou, depende do outro, mistura-se com o tempo. Esquecer é uma dádiva. Rezou pelo milagre...

Ele não deu resposta para si, para ela. Saiu e foi dar uma volta, sem rumo, desaparecer por um instante, mergulhar num vôo solitário dentro de si próprio e de seus pensamentos. Sabia, intimamente, que esquecer seria difícil, quase impossível. Sabia que deveria aprender a conviver com ela, sem a mágica liga do amor, aprender a conviver com recordações que, como aguilhões, fustigavam-lhe o coração.

Esquecer, não!
Conviver, sim!

Tentaria, contudo. Esquecer seria sempre sua busca, sua tentativa maior, sua queda, seu salto, seu pior momento, seu melhor instante, seu mantra e sua oração. Esquecer...

E, quando morresse, quando a ceifa cortante do anjo da morte podasse pela raiz a tudo e a todos, libertando o que é bom, o que é mau, desse plano estúpido e encantador, queria que Azrael entendesse que sua capacidade de perdoar desvencilhava-se de sua habilidade de esquecer.

Ele fora incapaz de esquecer...
... Mas, conviver, foi a forma que encontrou de perdoar...

sábado, 3 de outubro de 2009

O MELHOR PEDAÇO DE MIM



Eu sinto tua falta!
Sinto tua falta ao acordar,
Ao dormir, ao respirar,
És forte em mim!!!
Pedaço de mim!
Meu inicio, meu meio, meu fim!
Sinto tua falta em mim...


Minhas alegrias não são mais tão efusivas!
Minhas tristezas ainda mais amarguradas!
Nada do que faço,
Parece me fazer melhor,
Pois eis que em mim existe,
Sua falta, sua ausência,
Que me traz a enorme carência
De sentir-me amado,
De amar...


E o que posso fazer?
Pergunto e não me respondo!


Você está aí...
Eu estou aqui...
Pedaços que fomos
De uma mesma carne,
Membros de um mesmo corpo,
Almas gêmeas que o
Destino separou...
Que a distância levou...
E deixou.... Em mim...
Essa eterna saudade de você!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

NOVA CARTA DE AMOR PARA SER LIDA NUM NOVO DIA SEGUINTE...

Meu amor!
Não me canso de amar você...
Não me canso de fazer amor com você...
Acordei e tu já tinhas ido, apressada, para a vida e para todas as demais coisas. Deixou um bilhete ao meu lado, no mesmo lugar que, momentos antes, repousava teu corpo quente... Teu corpo quente. Li seu bilhete, primeiro com os olhos, depois com o coração. Lindo...

Eu te amo, meu amor, eu te amo!

Sei que já repeti isso uma centena de vezes somente nessa última noite de amor e que deves estar cansada de ouvir isso, mas preciso dizer tantas vezes mais, encanta-me falar sobre você, me renova e me energiza dizer que te amo.

Levanto e abro a janela.

O sol que entra toca e beija meu corpo nu, corpo que foi teu, que foi tocado e beijado por você. Sinto um arrepio intimo percorrer todo meu ser ao lembrar-me de seus beijos em mim. Excito-me com a sugestão de um pensamento do que foi... a noite... a noite... Queria te amar agora!

Sorrio, imagino-te em teu trabalho: documentos a assinar, telefonemas importantes, reuniões, decisões a tomar, diagramas e relatórios para serem analisados, uma rede de assessores trabalhando por você e para você. Por um instante, invejo seu trabalho... Por um instante apenas, porque sei que a noite serás minha novamente. O trabalho te tem na superfície, eu te possuo na intimidade.

Tomo um banho demorado, e um desjejum matinal mais demorado ainda.

Telefono-te e fico em silêncio, você também, ficamos em silêncio, sintonizados numa freqüência que é só nossa.

Eu te amo, digo-te entre suspiros e sorrisos.
Eu te amo, você responde entre sorrisos e suspiros.

Com o olhar perdido nas reminiscências saio para a rua, para a vida, para todas as demais coisas que não interessam que são compulsórias.

No caminho para o trabalho te mando flores, tuas preferidas.

Ao chegar ao meu trabalho, sobre minha mesa, flores, minhas preferidas, você as mandou.

Segue a vida, seguem as horas numa escala totalmente relativa, os dias são longos e demorados, as noites rápidas e maravilhosas, preciso encontrar uma maneira de ter você todo o tempo, meu amor, para mim... Para mim... Para mim...