domingo, 26 de outubro de 2008

Cá estou eu novamente,
O mesmo lugar de antes,
O mesmo sentimento de antes,
tudo igual a sempre!

Lá fora o vento acaricia uma árvore
Uma folha distraida desgarra-se
e cai lentamente.


Tudo continua seu curso
Tudo segue adiante,
a vida parece sempre ir avante!


Não comigo....


Cá estou eu novamente,
O mesmo lugar de antes,
O mesmo sentimento de antes,
tudo igual a sempre!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Apenas uma “Love Story” diferente....

Era a mais famosa e querida das baratas. Famosa por suas ousadas aventuras e odisséias no mundo dos homens. Querida por todas as baratinhas por ser popular e simpático.
Morava atrás da pia do banheiro, numa fresta do azulejo. Dizia ser ali seu palacete, ou “baracete”, como parafraseava com alguns mais chegados amigos.
Não saia muito durante o dia, mas a noite, dava longos passeios para flertes e “altas farras” que muitas vezes duravam horas.
Nossa pequena estória de amor, diferente por sinal, começa aqui... numa dessas escapadelas em que nossa baratinha participava. Foi durante um longo passeio, fora dos domínios da residência humana em que morava, conheceu uma barata que era um esplendor. Possuía longas antenas; pernas bem torneadas, compridas e finas; asas brilhantes em uma cor escura e brilhante; e os olhos mais gentis que já virá.
Foi paixão à primeira vista, à primeira “antenada”, como preferem dizer as baratas.
Logo se enamoraram e começaram a se amar. Ficaram ambos sentados no canto de um tanque de lavar roupas, a olhar a lua e sentir a brisa da noite. Por vezes, trocavam demorados beijos de antenas. Invadiram despensas para lamber guloseimas e nas madrugadas, ficaram a conversar; ele, contando as suas epopéias no mundo humano; ela, suspirando longos suspiros de barata.
Pareciam duas baratas adolescentes quando começaram a fazer planos para o futuro. Iriam morar no apartamento dele (o baracete) que era espaçoso e um luxo só. Sonhavam com a dezena de baratinhas que iam ter e discutiam com quem as baratinhas pareceriam. Doces frescuras de namorados essas tolas e pequenas discussões.
Uma noite, enquanto trocavam juras de amor, uma luz se acendeu...
Alguém chegava mais tarde, vindo de algum lugar.
Pânico completo!!!
O terror se estabeleceu entre o pequeno casal de namorados. Correram no afã de escapar, a barata se separou de seu amante, também barata. Ele gritou qualquer coisa com as antenas, não foi ouvido. Sabia que tinha pouco tempo para salvar sua amada e com um corajoso salto, ganhou terreno livre (o que é mortal para as baratas), clara tentativa de chamar a atenção sobre si. E conseguiu. A primeira chinelada passou longe. A segunda mais perto. A terceira não o atingiu graças a um ziguezaguear esperto, nossa barata era muito ágil. Na quarta chinelada, percebeu que seu pretenso assassino já estava nervoso e quando isso ocorre, dizia convencido de seu saber às outras baratas que outrora o ouvia, as baratas escapam. E foi o que aconteceu. O humano, num ato desesperado, atirou o chinelo num golpe forte porém, passou longe. A intrépida barata já se guardava por trás de uma fresta na parede, cansado e preocupado com sua amada.
Só saiu de seu esconderijo após a luz se apagar e não perceber vibrações nas imediações.
Galgou lépido a distância que o separava do local onde esteve com sua amada. Ia atento buscando-a por todos os lados. Não demorou muito e encontrou-a, caída em decúbito dorsal, as pernas todas elas para cima em uma oração fúnebre, as antenas imóveis estendiam-se pelo chão. Morta. Para sempre, morta. Desesperou-se. Beijou-a com as antenas diversas vezes, tocou-a tentando ver algum movimento, porém, nada. Ficou ali enquanto pode. Logo, chegaram as formigas e ele teve que fugir. De longe viu o corpo da amada ser desmembrado e desaparecer, carregado macabramente.
Desse dia em diante, nunca mais foi o mesmo, contou outras baratas amigos seu. Isolou-se no seu apartamento em reclusão. Não saia nem para comer, lamber alguma coisa. Emagreceu muito e caiu em depressão. Contam seus vizinhos mais próximos que, nas madrugadas, ouvia-se seu choro antenado e seu lamento horas a fio e, durante os dias, delirava chamando pela amada barata.
Não recebia ninguém. A todos maltratava e ignorava. Chegou ao cúmulo de agredir um ancião barata que fora visitá-lo e levar-lhe algum alimento.
Um dia, uma baratinha invadiu seu apartamento e pediu-lhe que corresse. Uma nuvem de veneno se aproximava. Dedetização. Enquanto as baratas escapavam pelo ralo do banheiro, ele ficou lá; impassível, sentado, esperando.....
Algum tempo depois, encontraram-no, fora da casa, varrido como um qualquer, morto. Dizem que em sua face, repousava uma expressão diferente, como de prazer ?!?
Foi, com certeza, o maior herói entre as baratas....uma lenda!!!



Foto capturada http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt/fotos/52/Cockroach.jpg

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

DOM QUIXOTE FATIMASSULENSE ou FORREST GUMP

Não se sabe realmente o por que, só se sabe que partiu a pé, mais de 30 kms pela frente, contra todas as expectativas, contra todos os prognósticos, partiu em uma jornada cansativa, de sofrimentos árduos, de recompensas miseráveis. É verdade que demorou-se um tempo ali, numa longa espera casual, numa fresta do tempo, esperando por uma carona que nunca veio.
Mergulhou em seus pensamentos e andou, andou, andou como nunca andara antes e como nunca mais andaria depois. Quando o cansaço lhe sussurrou aos ouvidos que já estava por ali, verificou que não tinha cumprido a metade da viagem. Quis correr para ir mais rápido, mas as pernas recusaram-se. A escuridão o rodeava, ficava difícil se orientar. Tinha medo de invadir a rodovia e um guepardo automobilístico o atropelasse; no mato, à sua direita, os sons dos bichos rastejantes, guinchos, sibilos, agitação nervosa de animais à sua passagem.
Em dado momento, foi atacado por um morcego enorme, era como se a própria noite com uma mãozada o golpeasse. Deu um salto para o lado, e agitou uma das mãos para o alto, o morcego assustou-se, foi-se embora. Uma vitória pouco comemorada, seu sorriso amarelo foi obscurecido pelas trevas da noite sem estrelas. Já tinha andado tanto e não havia chegado a lugar algum, suas dores avisavam-no para parar, mas sua obstinação não possuía ouvidos, ela era uma voz forte e autoritária que lhe ordenava: Avance! Avance!
E elas avançavam, as pernas, pisavam o chão preto do asfalto gasto do acostamento, ao seu lado esquerdo, na rodovia, dragões e suas carretas cruzavam o espaço urrando ferozmente. À frente, uma matilha de cães ferozes como lobos latiram impiedosamente, mais que uma defesa do seu território era uma ameaça clara. Novamente, quis correr, mas não pôde. Existem coisas que são impossíveis na vida em determinados momentos, esta era uma delas.
Algum tempo depois, passava por um terreno alagado, surpreendeu-se com as centenas de vaga-lumes que brincavam iluminando a noite de uma luz esverdeada. Parecia que uma árvore de natal nascia em meio ao pântano. Os caminhos não são apenas ponteados de tragédias e bizarrices, a beleza também se mostra em meio a esta grande aventura que é a vida.
Seis horas depois chegava ao seu destino, Fátima do Sul, o corpo doía-lhe todo. Sabia que não haveria comemorações pela sua vitória pessoal, sequer ele comemorava ou esperava aplausos. Tudo o que houvera feito provinha de uma causa pessoal, sem comprometimentos com ódios ou raivas banais com alguém ou situações outras, era apenas uma questão de foro intimo, entre ele e ele, somente. Sabia, entretanto, que sua vitória seria recebida como loucura, que ririam dele como se a obstinação e a determinação fossem coisas obsoletas. Sentia-se feliz por sua vitória. Conseguirá vencer seus obstáculos mais uma vez. Sentia-se vencedor, sentia-se um herói ainda que não houvesse manchetes apontando-o como tal. Não há importância, os heróis são aqueles anônimos que, todos os dias, vencem seus próprios limites, ainda que possam parecer, suas batalhas, absurdas aos olhos do mundo.



Charge, de autoria de Célio d’Oliveira.
A publicação da charge é minha homenagem a esse amigo/irmão que é o Célio alguém que aprendi a respeitar e admirar pela sua sensibilidade, humildade, generosidade, bondade e compaixão para com o próximo, além de ser um ótimo profissional em seu trabalho. O Célio nos irradia luz quando está por perto, com seu constante bom humor e suas tiradas impagáveis. Serei eternamente feliz por ter tido o privilégio de ter dividido alguns de meus dias com ele.

(Para ver a charge ampliada, favor clicar sobre ela)

sábado, 11 de outubro de 2008

Estive aqui esta noite te procurando,
Não te achei, como sempre tem sido,
Aprendestes a zombar de mim e de minhas vontades!


Como não te encontrei,
Procurei a mim mesmo,
E me achei dentro de um sonho......


... O sonho de estar com você!!!!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O P E R Á R I O S

De meu canto observo os movimentos dos operários,
Estou oculto,
Estou esquecido,
Deles e de mim mesmo.
Um deles movimenta um portão enorme e pesado,
Num constante abrir e fechar.
Outro deles está à espreita, supervisionando tudo,
Como se fosse uma ave de rapina a observar a presa.
Um terceiro escreve em um formulário qualquer,
Registrando a entrada e saída de mercadorias.

Bizarras mercadorias...
De longe vêm os sons da fábrica.
O almoço sendo preparado na cozinha,
Os carrinhos transportando mantimentos,
Escovões e vassouras limpando o chão sujo,
Alguém que grita uma ordem qualquer...
...mas, no meio dos sons característicos de fábrica,
Escuto um que não devia estar ali...
Um choro contido,
Minha sensibilidade apura o som inaudível
De uma lágrima que molha o chão ressequido.
Do meu canto observo, novamente,
Os movimentos de todos os operários.
Os operários e sua fábrica...
A fábrica que nunca fecha!
A fábrica que enclausura sonhos!
A fábrica que aprisiona os que não podem ser soltos!
Estou na cadeia,
Sou também um operário dessa fábrica
Que tranca homens!!!!




Imagem: Quadro "Operários", Tarsila do Amaral, 1933

domingo, 5 de outubro de 2008

CULTURAMA: “CINEMA” PARADISO


No ano de 1990, o mundo ganhou um presente do cinema italiano através da película “CINEMA PARADISO”, filme que viria a ganhar o Oscar de Melhor Filme estrangeiro naquele mesmo ano. O Filme conta a estória do jovem Toto, e de como ele se deixa apaixonar pela sétima arte através do amor pelo cinema do velho e bom Alfredo, projecionista do Cinema Paradiso. Este Palácio da Sétima Arte é o ponto de encontro de uma pequena cidade do interior da Itália. No átrio do cinema, a cidade inteira se reunia e tudo acontecia em torno do Paradiso. A cidade era movida pela febre e pela magia da Sétima Arte. Até mesmo o padre era envolvido por essa fascinação.
Guardado as devidas proporções, Culturama, meu Distrito, viveu história igual a da película Cinema Paradiso.
O fechamento da Escola Estadual “O Pioneiro” Ensino de 1º e 2º Graus é o fim de uma era. O Distrito de Culturama e por que não, Fátima do Sul, deve muito a esta escola. Em suas salas, grande parte dos filhos de Culturama foram educados. Nossos professores, uma boa parcela deles, tiveram sua vida estudantil misturadas com a história deste Colégio. Grandes homens de Fátima do Sul e de nosso Estado, tiveram, em algum instante de suas vidas, algo a ver com a Escola Estadual “O Pioneiro”. Fundada nos anos 60, por Marvin Eugene Coffey e Dalva A. M. Coffey, sua esposa, ele americano, ela mineira, com ajuda do voluntário da Paz (Mister Bill) dos E.U.A., e outros companheiros de luta, esta escola seguia mais ou menos os padrões das escolas norte-americanas, e chegou a ter três extensões, no Iguaçu, na 3ª Linha e no Novo Planalto.
No filme Cinema Paradiso, Toto retorna, vinte anos mais tarde para a sua cidade, desta feita já sendo um famoso diretor de cinema, rico e famoso. Seu retorno se dá em tempo de ver, ainda, o velho Paradiso ser derrubado para ser construído em seu lugar, um Centro Comercial.
Na última quinta-feira, alguns amigos assistiram a um caminhão retirar cadeiras e carteiras, móveis, do velho “O Pioneiro”. Confessaram-me estes amigos, que tiveram de se conter para que não derramassem uma lágrima. Quis Deus e esta rotina corrida que levo que eu não pudesse estar presente para assistir a tal cena. Com certeza, confesso de público, não conseguiria me conter, choraria em público. A Escola “O Pioneiro” foi para mim, algo mais que um ateneu. Por quatro anos de minha vida, difíceis anos, encontrei naquele colégio e em seus integrantes uma casa e uma família; família esta unida em torno dos ideais vocacionados da Educação. Minha irmã foi aluna do “O Pioneiro” e, como tantos e tantos outros, tem ela também a sua vida atrelada de alguma forma a história desta Escola.
Este breve artigo, não guarda quaisquer outras conotações que senão demonstrar em público a tristeza que me dá em ver mais uma escola fechando e, principalmente, sendo esta Escola o “Pioneiro”. Não quero me ater a questão administrativa e/ou política que levaram as autoridades a este ato, pois, não possuo subsídios e informações suficientes para tecer comentários a este respeito com profundidade e seriedade. Contudo, não posso deixar de prestar esta pequena homenagem que, tenho certeza, seria de centenas de Culturamenses que, como eu, vertem uma lágrima sofrida neste instante. Choramos, como choraram os velhos moradores italianos frente o Cinema Paradiso. Um pedaço de suas vidas, aquele pedaço que, durante muito tempo, foi o que deu cor a seu cotidiano, caia. Em nosso caso, o que me conforta é que, por mais que o tempo passe “O Pioneiro” sempre estará vivo na vida das pessoas, dos Culturamenses. E, doravante, que não se fale em Educação em Culturama e Fátima do Sul sem prestar a digna e necessária reverência a esta Escola que escreveu uma das mais belas páginas da educação do Município Favo de Mel.
Despeço-me em compungido silêncio...




Vocês irão notar que este texto já é bem antigo, de uma época que não existe mais. Trago-o à tona novamente para relembrar estes tempos, e para que as novas gerações possam percebê-lo. À época, ele teve uma repercussão bastante interessante.
Ilustração colhida na internet. A intenção inicial era postar uma foto aérea de Culturama, o melhor distrito do mundo, mas, infelizmente, não consegui esta foto! Esta ilustração achei-a muito parecida com Culturama, sentido figurado, o congressamento de raças, a amizade, a afabilidade, a amizade, todos os bons sentimentos que rodeiam esta terra e seu povo. Quem bebe da água de Culturama, jamais a esquece, antigo ditado culturamense carregado de sabedoria popular. Ah! Não reparem na bandeira canadense, seu significado aqui é estranho e alheio.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O HOMEM QUE COMPRA SORRISOS


Eu compro um sorriso
De qualquer tipo,
De qualquer jeito.
Um sorriso de sensualidade,
Um sorriso de amizade.
Um sorriso que venha preencher
O vazio de uma face carrancuda.
Compro daqueles sorrisos que nascem ao amanhecer,
Ou mesmo aqueles que iluminam a noite sem estrelas.
Porque sorrisos são isso mesmo,
Estrelas nos céus das faces dos homens.
Dou preferência para o sorriso de uma criança,
Mas não descarto a compra de um sorriso adulto,
Desde que venha sincero e puro como de um petiz.
Pago qualquer preço.
Faço qualquer jogada por um sorriso.
Tudo o que quero é sorrir novamente.
Ainda que o sorriso que brilhe em minha face
Seja artificial como a felicidade dos homens.
Tenho a esperança de que um sorriso comprado
Ensine-me a sorrir, por mim mesmo, ainda que falsamente.
Será que existe nobreza na falsidade pela boa causa?
Não sei! Quero ser feliz a qualquer preço,
E poder distribuir sorrisos para todos, gratuitamente.

Vamos! Venda-me um sorriso...